Cada dia que passa nos afasta mais dos nossos planos. A nostalgia da infância passa por não termos expectativa, quando não há esperança não há decepção. Uma formiga consegue carregar várias vezes o seu peso, mas ainda assim é facilmente esmagada. Que chance nós temos? Estudar, crescer, trabalhar, amadurecer. E se o que queríamos fica em segundo plano? Existe totalmente a possibilidade de ser feliz naquilo que fazemos, mas o que acontece quando o cara acorda um dia, encara o abismo e percebe que ele tá pouco se fudendo pra encarar de volta. Até o sucesso pode ser escrito com aspas, quando é bom o suficiente? E se eu nunca conseguir ganhar a vida do jeito que eu quero?
Pensamentos suicidas cercam até os momentos mais felizes. Está lá. Meu cachorro, Juca, está me olhando torto pelo tom soturno peculiar do meu texto. Acho que ele está, na verdade, puto porque eu esqueci a salsicha no forno e aquela porra tá chamuscando. Eu acho que eu sempre achei essa mistura de esperança com desesperança, tão humana, meio charmosa. Em Everything Goes Numb, o Streetlight Manifesto trata dela brilhantemente. É um disco de ska, perfeito pra festinha, mas ainda assim reside nele um lado negro. E não, infelizmente não falo de funk, o que seria sensacional. As letras do Tomas Kalnoky, que tinha tipo 7 anos quando gravou o disco, são primárias, mas a intenção é essa mesmo. Se a possibilidade de nunca acordamos no nosso sonho existe, ei, por que não dançar com ela?

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