quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Blue Sky Black Death - 2008 - Late Night Cinema



Trip hop é um nome de gênero bastante idiota, nem sei se devia ser aplicado aqui, mas acaba sendo. BSBD faz uma espécie de releitura estilizada de algumas trilhas sonoras de filmes que nunca existiram. Numa linda sinestesia, essa porra tem gosto de charuto. Um dos membros da banda vai pelo pseudônimo de YOUNG GOD, que por algum motivo me lembra a "Metal Gods" do JVDÃO, bela faixa que faz toda vida no Terra planeta água ser mais iluminada.

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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Jessamine - 1994 - Jessamine


Os Estados Unidos são a principal força da música mundial, quem discorda tá brincando consigo mesmo. É aquela velha discussão entre cinema hollywoodiano e europeu, mesmo o mais fervoroso dos fãs de cinema europeu tem de reconhecer a superioridade em quantidade: há mais espaço pra filmes nos Estados Unidos, e a força criativa por trás deles tende a sempre surpreender. É espetáculo, rapazeada. Uma vez eu vi alguém falando que os EUA não tem CULTURA, eu sou do time que acha que esse tipo de coisa não se responde com qualquer argumento além de VAI TOMAR NO SEU CU PORRA. Sério. O álbum em tela faz uma leitura diferente do shoegaze, bem dissonante e desconfortável. Fiquei tão cheio de ódio que decidi não escrever mais nada, me limitarei a ocupar o sofá.

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Moritz von Oswald Trio - 2009 - Vertical Ascent


Eu estou tonto por causa duma porra duma virose. Esse disco com o dildo na capa te deixa tonto também. Mas de uma forma legal, tipo aquele vídeo do cavalo correndo com 2 patas. Versão techno, kind of, daqueles discos do John Coltrane com temas espaciais.

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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Top 11 2011



Dias de fúria, tempos estúpidos. Queremos ocupar Wall Street só pra enfiar no cu de quem nos abusa, mas quem nos abusa? Em cada ser humano existe um revolucionário, ele está ali, à espreita, parado na esquina, tomando uma refriscola, esperando o momento em que inevitavelmente cedemos à nossa própria idiotice. Eternamente condescendentes, nos afogamos no brilho de fazer algo. O que é algo? Por que fazer algo? Não existe revolução no Brasil, não está no nosso sangue. A ampla maioria dos apoiadores brasileiros do OWS não faz ideia do que seja Wall Street fisicamente. É uma rua? Um prédio? Um bairro? Uma espaçonave? Um cotonete? E isso virou desculpa pro pessoal querer ocupar tudo, mas por que? Corporações não são pessoas porque elas não podem te mandar chupar uma piroca, mas eu posso. Eu não levanto punho cerrado pra nada, minha ignorância ainda é uma porra duma benção. Ninguém abraçou melhor isso em 2011 do que o Trevor Powers, único membro do Youth Lagoon. Seu Year of Hibernation soa como uma atualização da discografia do Daniel Johnston, é tão perfeitamente retirado do tempo quanto esse que o inspira. Mas, ao contrário da esquizofrenia de Johnston, Powers é envolvido por uma melancolia, uma nostalgia pelo sonho da noite passada. Em “The Hunt”, que encerra o álbum, ele canta “I got a sickness in my head that won't go away”, e tudo aqui soa exatamente como isso. Etéreo, perdido, neblinado, o debut do YL é o disco mais ignorante de 2011. Somos todos melhores por isso.



Nada mais humano do que um honesto egocentrismo. Aubrey Drake Graham fala mais “eu” do que qualquer outra palavra, de longe. O segredo da beleza disso está no 'honesto' que vem antes do 'egocentrismo'. Drake realmente acha que ele é foda, mas isso não vem superficialmente, nada disso pode vir superficialmente. A pessoa mais apaixonada por si mesma é aquela mais quebrada, aquele que não supera nada além dos próprios terrores noturnos, mas julga ter vencido a porra do mundo todo. “I know that you gonna hear cause I'm the man, yeah I said it, bitch I'm the man, don't you forget it” é a frase mais simbólica em “Shot for Me”, que ao mesmo tempo é uma ode a si mesmo e uma lamentação pela perda de alguém. Se ninguém está completo sozinho, por que não abraçar essa dualidade? Só que Drake alia isso com uma produção excepcional, o instrumental do disco todo é rebuscado e cheio de nuances. Pra falar de si mesmo você precisa de algo que leve alguém a ouvir sua voz, e foi o que Drake conseguiu aqui. Take Care é o My Beautiful Dark Twisted Fantasy de 2011, só que menos expansivo e, embora seja também menos genial, é um lembrete de que não existe nada mais irresistível do que honestidade.



Por algum motivo obscuro, muita gente associa música eletrônica a algo artificial. Claro, existe música eletrônica genérica, o antigo e famoso esteriótipo do “bate-estaca” com aquele sintetizadorzinho bem academia, só que não mais do que rock and roll merda incapaz de fazer algo além de repetir tudo que veio antes. E os fãs de rock and roll amam celebrar sua própria inteligência em relação a quem gosta de música eletrônica, em todo produtor de jaqueta de couro há um complexo peniano ironicamente imenso esperando louco pra sair. Demorei pra ouvir os Eps do James Blake ano passado por ele ter o mesmo nome daquele tenista, aí pensei que o tenista teria tentado algo meio Jack Johnson, só que ao invés de surfar e fumar maconha seria jogar tênis e ser saudável. Finalmente ouvi, eram bons Eps, mas nada que preparasse pro álbum que veio esse ano. Abrindo mão do dubstep como bandeira e partindo pra algo focado em composição, Blake lançou um todos tantos discos desse ano que são impossíveis de categorizar. É um folk feito com sintetizadores, ou uma trilha de cabaré deslocada da sua época, ajudada pela tecnologia. O resultado é um puta dum som alienígena, alheio a qualquer categorização, independente de qualquer noção de independência.



O problema do Death Cab for Cutie e do Bright Eyes sempre foi a completa ausência de sutileza. As composições não tem qualquer espaço pra respirar, tanto o Ben Gibbard quanto o Conor Oberst gritam para a audiência o tempo todo o quanto eles sofrem. Não há espaço pra interpretação, não há nenhuma sensação bucólica, nenhum torpor depressivo, porra nenhuma. Não preciso nem destacar a idiotice disso. Você pode frasear da forma mais poética imaginável, mas nunca sendo direto. A música nunca segue as palavras, as palavras só meramente criam mais força quando o ambiente criado pelo som assim permite. A parceria entre um magrão que se autointitula King Creosote e o produtor Jon Hopkins, ambos britânicos, parece ter acertado um pouco melhor a mão nisso. As imagens pintadas pelo vocal frágil do Creosote (Kenny Anderson o nome real, o que me fez perceber a real importância de um pseudônimo, portanto só assinarei agora como Nelson Jeremy Prates Frota Jr.) são vagas e incolores, manchadas pelo tempo, meio esquecidas ao ponto dos fatos serem secundários ao que foi sentido. Os toques de música ambiente na produção reforçam essa melancolia espessa, como uma fotografia de uma casa perdida no meio do mato, só que essa casa não pode ser registrada por fotos. A distância do homem pra captar o que realmente está passando, e o tanto que se perde nessa leitura, é o som aqui registrado.



A vida é quieta, de muitas formas você não vai perceber que ela está lá se não prestar muita atenção. O balé do cotidiano parece movimentado, mas numa escala ampla é silencioso, os dias passam zumbizando sem que se note, o sol morre antes que percebamos que porra ele estava fazendo ali em primeiro lugar. Adam Wiltzie (Stars of the Lid) e Dustin O'Halloran (Dévics) fazem um tributo a isso, o belíssimo projeto A Winged Victory for the Sullen é uma conclusão lógica da tristeza eterna proposta pela banda principal do Wiltzie. Existe a possibilidade real e assustadora de não estarmos aqui por qualquer motivo, não precisamos ignorar a frivolidade da nossa própria existência. Nunca vamos provar o sublime, e se não existirem anjos tocando harpa? O que resta somos simplesmente nós, imperfeitos e desconstruídos, ruidosos em cada passo, tortos em cada traço, perdidos sem nem saber se houve uma direção em primeiro lugar. AWVFTS é um mundo dentro de si mesmo, aonde não existem dúvidas, lamentações, medos, nada. Nada mesmo.



“And all these thoughts in my head made the sane go astray”, e nesse momento o já brilhante XXX atinge outro nível. O disco do Danny Brown é um dos mais gloriosamente inconsistentes do ano, com o rapper tentando passear por todo o seu cérebro, só pra chegar no desesperador desabafo que é a última música, “30”. O disco varia do alegre e putanheiro pro claustrofóbico e desesperançoso, sempre perfeitamente colorido. “My dick so big left stretch marks on her jaw” divide espaço com “The thought of no success it got me chasing death doing all these drugs in hopes of OD’ing next”, e não existe uma divisão clara. Registra perfeitamente cada passo da droga no seu sistema, do êxtase ao horror, e não há uma lição de moral aqui. Não há celebração também. XXX é engraçado, trágico, empolgante, diferente e profundamente contemplativo, colocando o Danny Brown firmemente como um dos artistas mais interessantes da atualidade.



“Hellhole Ratrace”, do primeiro disco do Girls, Album (2009), é um tratado em drama. Drama só por ser drama, mas porra, por que não? E, embora o resto do debut seja sólido, o EP que sucedeu (Broken Hearts Club, de 2010) não me chamou muito a atenção. Então quando Father, Son, Holy Ghost foi anunciado, eu não criei muita expectativa. “Claro, mas cadê o novo do Judas Priest?” - enquanto embocava uma peça inteira de bacon, porque eu sou uma porra dum homem das cavernas. Ouvi “Honey Bunny” e não esbocei nenhuma reação, apenas voltei a fazer o que é minha especialidade: nada. Quando baixei o disco, terminando assim minha odisseia chata e relativamente previsível, botei a mesma música pra tocar. O estranho é que ela soava exatamente como toda banda de rock devia soar, mas óbvio que não é assim. Todo magrão aprende a tocar guitarra e já corre pra montar uma bandinha, o que é o próximo? Todo cara que tenha pau grande vai começar a fazer filme de putaria? Vai faltar buceta pelo tanto que gaúcho gosta de falar sobre tamanho de pau. “Alex” veio logo em seguida, e nesse ponto eu já estava conquistado. Tudo está no lugar certo, é o que o rock and roll seria sem o aspecto boçal que permeia a cultura. No final das 11 músicas, Father, Son, Holy Ghost impressiona. Melodias contagiantes, experimentações sem confundir palhaçada com meter o palhaço, timbres bonitos, tudo. É um resumo das décadas que vieram antes sem nunca cair no genérico, sem nunca parar de soar como algo novo.



O Destroyer existe desde 1995, desde lá o Daniel Bejar tem feito músicas selvagens, sempre pendendo pro imprevisível. Em 2011, no entanto, ele aceitou uma realidade: se entregar à farofa é sempre uma boa. É aparentemente impossível fazer qualquer análise do Kaputt sem citar Pet Shop Boys, Steely Dan ou Roxy Music, então já cito os três. Kaputt, no entanto, é mais do que uma gama de influências, é sobre aceitação. Bejar sabe disso, sua voz nunca soou tão confortável quanto no mais recente trabalho de sua banda. Por toda sua carreira, o canadense baseou em ampla escala suas composições em torno de arranjos intricados, guitarras pesadas, orquestrações, letras longas e cantadas com uma pressa quase maníaca. No álbum em tela, ele para pra olhar pra trás. Soando como um crooner cansado, um que não tem mais controle sobre as palavras que fogem de sua boca, ele recita letras sobre saudade, tristeza, cansaço e a malaise contemporânea de uma forma sedutora, perigosa, e deliciosamente cafona. Se os ternos roxos lindos, megahair, glitter, purpurina voando da caixa, e num geral aquele delírio tecnológico barato nunca pode voltar, o que nos resta é a lição que os anos 80 deixou. Pra mim, pelo menos. Ao aceitar a farofa, abraçá-la e fazê-la de musa também, Daniel Bejar fez o disco mais delicioso do ano.



Esses filhos da puta saíram do nada. Fazendo campanhas de divulgação estranhas, tocando com máscara, escondendo a identidade, escolhendo nomes oblíquos tanto para a banda quanto para as músicas e, finalmente, escolhendo gravar seu disco de estreia numa igreja abandonada, eles andaram por aquela linha tênue, quase invisível, entre o original e o clichê. Durante o debut deles, no entanto, tudo funciona. A ideia de gravar em igrejas já foi usada antes, mas nunca deu certo como aqui. A gravação soa ao mesmo tempo grandiosa e lo-fi, nítida e embaçada, pesada e leve. Os temas são ríspidos e ao mesmo tempo melódicos, acho que não há muito sobre a banda que não passe por uma tremenda dualidade. Mas, principalmente na música, incoerência é sinal de grandeza, e esses ingleses acertaram perfeitamente nisso. É possível traçar paralelos, principalmente com o também debut do Iceage, mas o WU LYF trafega por um universo único. Os vocais gritados do Ellery Roberts passam diversas emoções, e o sotaque estranho e carregadão dele faz com que tudo seja difícil de entender. Na verdade, é bem provável que na primeira audição você não entenda mais do que 2 palavras que ele fala no disco todo. Numa época onde todo artista é imbecilmente ansioso em quebrar a quarta parede, o WU LYF reserva o espaço bastante necessário pra interpretações e sonhos.




Não é impossível de separar as três mixtapes lançadas no ano pelo Abel Tesfaye, você pode ouvir cada uma delas como um disco separado. Mas por que você faria isso? Quando House of Balloons saiu, o Weeknd chamou muita atenção pela misoginia extrema do seu vocalista. Todas suas letras giravam em torno de sexo, mas não sendo nada sensual. As imagens pintadas por Tesfaye são as de desespero, do cara perturbador que cansou de tentar impressionar garotas e começa a se vingar delas. Ele implora pela atenção delas, mas ao mesmo tempo nunca perde o ar ameaçador. Não é carência, aqui soa como ódio mesmo. Quando Thursday saiu, Tesfaye já não estava tanto no consciente do público, e com esse lançamento saiu ainda mais. Mais fraturado e barulhento que o anterior, Thursday não tem nenhuma música nem perto de pegajosa, é um trabalho soturno, pesado, aonde a misoginia aparente do trabalho anterior se transforma de vez em algo muito mais monstruoso. O terceiro, Echoes of Silence, saiu quando a maioria das publicações já fechou sua lista de melhores do ano, o que de alguma forma serve de metáfora para a trajetória do The Weeknd no ano. O canadense Tesfaye fez uma carreira inteira em um ano, da ascensão à decadência, foi Elvis magro e gordo num período de meses. Seus álbuns não estão aqui só por isso, a qualidade de cada um deles é impressionante, formando um universo singular. Se estamos sempre preocupados com a “coisa nova”, é impossível de não se perguntar pra onde ele vai daqui. A certeza, no entanto, é que ele já foi pra mais cantos escuros do que qualquer outro artista em 2011.



Hurry Up, We're Dreaming tem o pior nome de disco da história, mas é o melhor disco do ano. Tudo nisso está exatamente aonde deveria estar. “Midnight City” não só é a melhor música de 2011, é também um dos melhores singles da história. Seu ritmo contagiante, o elegante arranjo, todos os instrumentos soam melhor do que em todas as outras bandas e, o principal, o vocal do Anthony Gonzalez. Por toda sua carreira, o M83 sempre teve possivelmente os melhores timbres de sua geração. As guitarras soam exatamente como guitarras devem soar, idem pros sintetizadores. Essa harmonia, em simbiose ao ponto de ser impossível de distinguir exatamente o que está sendo ouvido (de uma forma boa, não por parece ser gravado no banheiro como tanta banda de rock de garagem bunda), dava ao M83 um instrumental realmente excepcional. No seu novo trabalho, Gonzalez (único membro da banda) decidiu cantar de verdade. Ele não canta bem, mas num mundo aonde a Karin Dreijer não canta bem, cantar bem não é cantar bem.

O novo lançamento do M83, pra quem não sabe, é um disco duplo. Discos duplos tendem a ser uma merda, e isso não é reacionarismo bunda de análise musical, é apenas natural que álbuns duplos venham carregados de pretensão histriônica. E essa pretensão é verdade no HUWD, mas, por algum motivo, ela complementa o som da banda. Quando o desejo é fazer algo soar épico, você não consegue sem chegar perigosamente próximo do limite entre o ridículo. Você não cria uma música como “My Tears Are Becoming a Sea” sem abraçar esse excesso. O disco todo carrega esse lado explosivo, parece que em cada música é meramente questão de tempo até as coisas ficarem realmente barulhentas. Essa previsibilidade é confortável no seu efeito, soa familiar sem ser repetitivo. Eu sempre tive a impressão que uma música boa é aquela que está sempre a uma nota de soar divina, imaculada, etérea. Essa nota pode ou não existir, mas as melhores músicas são aquelas em que o artista chega perto ao ponto de você conseguir ver. Numa música chamada MINHAS LÁGRIMAS ESTÃO SE TORNANDO UM OCEANO, você meio que espera breguice. E breguice ali está! No seu estado mais puro, bruto, honesto. Quando as coisas explodem, Gonzalez chega bastante próximo dessa nota inexistente.

Em “Splendor”, já começando pelo nome, Gonzalez passa pelo território de auto-paródia. É similar em alguns sentidos àquelas baladas do UYI do Guns and Roses, só que aqui faz total sentido. Não importa nada, só o quão contagiante o coro é. O quão bonito o piano acaba soando. O como, no final de seus 5 minutos, qualquer defeito que possa ter aqui é esquecido. As faixas mais curtas, instrumentais servindo de interlúdio, todas soam no seu lugar. Prum disco duplo, é impressionante o quanto cada momento é aproveitado. HUWD soa como uma obra coesa, mas suas músicas podem, e devem, ser ouvidas individualmente. Nos primeiros acordes de “Midnight City” eu já tinha aceitado que eu ia amar o disco, mas Gonzalez conseguiu surpreender pelo quanto o resto de sua obra é espetacular. Cada vez mais música é criada pela facilidade, “verso-ponte-refrão” por cima de um riff é tido como obra-prima. É bom ver alguém se importando o suficiente pra ir além, buscando aquela nota hipotética. HUWD é o melhor disco da carreira do M83, é também um dos melhores trabalhos que eu já ouvi. A cidade é a porra da minha igreja, deus te abençoe Anthony Gonzalez.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Ólafur Arnalds - 2007 - Eulogy for Evolution



No auge dos meus 21 anos, minha maior realização artística foi a foto de um amigo cabeludo editada no paint, adcionando um belo bigode. Arnalds tinha 21 anos quando gravou esse disco. Eu digo um empate técnico.

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

VA - 2005 - Invisible Pyramid: Elegy Box







Box com 6 discos dedicados a diversas espécies extintas. O filão principal é folk psicodélico, drone e num geral psicodelia. Som que nasceu morto, deus abençoe. Eu posso nunca descobrir que porra faço nesse planeta, mas isso não significa que não podemos celebrar a trivialidade.

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Hallock Hill - 2011 - The Union



Surto. A manhã chega anunciando o fim de sonhos envolvendo granadas caindo acidentalmente no pessoal do Galo Frito. Pena. Tarde pela manhã quando minha consciência se nega a encarar, a visualizar o que não pode ser visto. Promessas. Cedo pela tarde o sol começa a derreter a paisagem, que desiste em cores e sensações, só para mais uma vez se provar uma miragem. Decepções. A tarde se nega a passar, enunciando semanas lentas, moribundas, sim, palavras com "bunda" no meio são sempre aplicáveis. Engatinhar. Logo pela noite o marasmo se torna físico, cortável, presente, inegável, impossível de ignorar, impássivel em amar. Avanço. A noite fecha o ciclo das temporadas na árvore mais alta do mundo, e em nossas mãos nada resta além da saudade. Saudade.


Hallock Hill é um projeto de cover do Cypress Hill. DEUS COMO EU SOU ENGRAÇADO! Hallock Hill, na verdade, é o nova iorquino Tom Lecky, que tem uma puta pinta de tiozão. Sua música se especializa na nostalgia instantânea, sons desconhecidos que rapidamente se tornam familiares. Embora em The Union, em muitos momentos, ele acabe emulando John Fahey, porra, há certamente coisas piores pra se emular do que John Fahey. É um disco bonito, frio, deslocado no tempo. Encaixa-se perfeitamente em qualquer coleção de American Primitivism decente.

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Singapore Sling

Singapore Sling. Shoegaze. Elusivo e inexplicável. Obscuramente psicodélico. Filhos de Reykjavík, capital da Islândia, formaram-se em 2000, lançando seu primeiro álbum em Augusto de 2002 no Iceland Airwaves 2002 Music Festival. Desde então veem apresentando-se principalmente na América, na Islândia e no Reino Unido, sendo quatro tour feitas com The Brian Jonestown Massacre. Depois de cinco álbuns muito bem trabalhados, a banda lança seu sexto trabalho, Never Forever (2011).
Official Video da música que leva o nome do álbum

É audível a transformação (não digo evolução porque não foi uma mudança para melhor, mas simplesmente uma mudança) da banda no desenrolar da carreira, mas sem deixar de lado o orbe opaco que deu origem aos deleites de Euterpe.




Os demais álbuns são um pouco complicados de achar para download, quest que eu ainda não completei.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Volebeats - 1999 - Solitude


Tear in my beer, Volebeats faz um alt-country depressivo muito bacaninha para os momentos em que está QUENTE PRA CARALHO E IMPOSSÍVEL DE SAIR NA RUA OU MESMO PENSAR DIREITO.


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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Belong - 2006 - October Language



Como memórias num liquidificador.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

John Fahey - 2011 - Your Past Comes Back to Haunt You (The Fonotone Years 1958-1965)




Música transporta. Transcende. É a nostalgia pela infância misturada com ansiedade pelo futuro, aonde o presente é uma coincidência. QUE PROFUNDO EU! Ó os eternos pesares do jovem filósofo, perdido entre reflexões, delírios, convulsões sinápticas, piadas de pinto, reprises do programa do Amaury Jr., movimentos horizontais e num geral a minha falta de criatividade. O problema de tentar ir além em qualquer análise é que não tem um além pra ir. Quero dizer, eu tenho um número limitado de babaquices que eu posso falar, certo? O resto é repetição que, embora seja delícia, é somente isso. Cover de mim mesmo, queria tanto ser autoral. Dias alegres que eu corria pelo jardim fazendo simulação de Guns and Roses, Nintendo 64 era rei, e ninguém sabia quem é o Rafinha Bastos. Deus abençoe toda a trilha sonora na minha cabeça.

Nascido em 28 de Fevereiro de 1939, John Fahey é um dos melhores seres humanos que já nasceu, ali perto de Alexandre Frota, Luiz Carlos Prates, Ray Conniff e Sebastian Bach. Criador de um gênero chamado American Primitivism, Fahey soava como 2 caras tocando. Seu tom melódico sugere uma saudade de tempos que não aconteceram, sua obra é inevitavelmente categorizável como atemporal. Não foi feitos pra esses tempos, definitivamente. A obra em tela é uma compilação de gravações raras da época denotada, que são os melhores da carreira dele. Embora a discografia do mesmo período seja um melhor ponto de início, esse box é essencial pra quem quer entender mesmo uma das melhores mentes que já pensou em música.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Bajofondo Tango Club - 2007 - Mar Dulce




Chuva. Chuva. Fonte contaste de inspiração na ausência de inspiração. Pros dias aonde falar de Doritos acaba parecendo uma boa ideia. Alguém lembra de Matisyahu, aquele judeu maluco que fazia rap? Aquela barba dele era massa. Na época um amigo meu o comparou com Manu Chao, o que é uma porra de um crime. Meu cachorro, o Juca, está deitado no sofá, com os olhinhos bem fechados. Chuva. Caindo pela cidade toda. Dias cinzas no começo de verão, abrace a dualidade. Tente fazer algo de nada. Algo de nada.

Eu conheci o disco em tela por causa da capa, e por ser parecido com Gotan Project, que em muito me agrada. Não é nada que muda o mundo, mas é delícia. Essa mistura de tango com música eletrônica beira a discoteca soberba, grandes momentos pra se dançar juntinho com a pessoa amada, olhando a lua, passando óleo de ginkgo biloba um no outro, com olhar sereno e sedutor. E, quem sabe, se o clima for apropriado, soltar um latido. Au au! Enfim, um polegar firmemente enrijecido, bastante agradável.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Einstürzende Neubauten

Einstürzende Neubauten, Berlim, 1980. Banda com tendências inicialmente dadaístas - repúdio pelas formas convencionais de fazer música. Foi também precursora do gênero Industrial.

Einstürzende Neubauten significa "Novos prédios desabando" e um dos seus primeiros concertos foi no interior de uma igreja velha, demolida durante o concerto.

A Einstürzende Neubauten, em todos os discos, produziu sons diversos. Reconhecida pelo som "sucata instrumental" utilizou de diversas formas antigas máquinas, correntes e pratos de metal. Mas não é simplesmente isso. O som mudou muito entre 1980 e década de 2000, instigado por uma busca da música idealmente inquieta. Ver a diferença entre os dois vídeos abaixo, separados por 20 anos:

Einstürzende Neubauten, Autobahn:




Einstürzende Neubauten, Blume:

O primeiro LP Kollaps ("Recolher"), uma mistura de músicas de punk rock e ásperos ruídos industriais. Os ruídos industriais foram obtidos a partir de máquinas de self-made, música eletrônica, e objetos encontrados, tais como placas de metal. As performances ao vivo com FM Einheit na década de 1980, que se tornaram lendárias, incluíam metais batidos e destruição no palco.

A sensação de estranheza é enorme. Mistura de primitivismo e frustração futurista, quase escatológica. Os ouvidos devem ser pacientes e tolerantes. O album Kollaps (1981) é um bom disco para conhecer a banda. Entre o Kollaps e Silence is Sexy, de 2000, há uma revolução musical. Entre os dois há discos minimalistas e confusos, porém agradáveis aos ouvidos "piolho do púbis". Disponíveis aqui:


Kollaps (1981)

Silence is Sexy (2000)

Taraf De Haïdouks - 2001 - Band of Gypsies




Marcos senta-se em sua mesa, rezando por um peido. Seu corpo estremece, o barulho de buzina de navio toca infinitamente em seus ouvidos, delicadamente, quase não estando lá. A respiração pesa, todas as preocupações sociais apertam um pouco, como um céu estrelando insistindo em sair numa noite nublada. Marcos corre até o banheiro, liga a torneira, bota água, que escorre por sua barba mal feita. As paredes fecham, o teto colapsa, os sonhos de ontem vieram mais cedo hoje. Sua cabeça está em camas de hospital, com helicópteros explodindo a cidade inteira. “O Cooperativismo, como doutrina econômica, coloca os interesses das pessoas acima do lucro pelo lucro”, seus sentidos falham, seu cérebro nega todas as sinapses. Bloqueio criativo, e se o roteiro não ficar bom? Parecia impossível errar em cima de um enredo envolvendo um surfista que desenvolve desejos desvantajosos por cavalos, mas hoje isso está mais questionável. E se não ficar bom? Do alto do espelho, um gnomo aparece. Seu rosto redondo acompanha sua doce voz, dizendo o que precisa ser dito: “Baixe música folk romena”.

O lado positivo da infinita ignorância humana é poder ouvir Taraf De Haïdouks e associar com O Clone. Deus abençoe se a Romênia não tem porra nenhuma a ver com a Índia, que por sua vez tem menos ainda a ver com o Marrocos. Band of Gypsies, compilação de 3 apresentações ao vivo da banda, é música cigana, ou música pra dançar o ventre, andar de camelo, explodir prédios. Eu devia ter um show de stand-up comedy hein rapazeada, nem que seja só pra mijar no copo de água do Rafinha Bastos. Mas falando sério, o disco é mais delicioso que algo muito delicioso, pense num Beirut extremo e a ideia é essa mesmo. Pra dançar ensandecido, ou admirar calmamente. A beleza da música é que ela não conhece limites em ignorância; sendo cigano ou árabe, isso aqui é simplesmente bom pra caralho.

Roine Stolt - 1994 - The Flower King




Eu sempre quis um roupão, finalmente ganhei um azul de veludo. Roupão é uma vestimenta que passa exclusivamente duas imagens: cafetão ou maconheiro. E, como todo bom fã de blaxploitation sabe, você não pode ser o primeiro sem ser o segundo. Infelizmente, como todo bom fã branco de blaxploitation sabe, você nunca vai ser tão badass quanto nos filmes. Quando uso essa tão desejada peça após o banho, pareço uma morsa de roupão azul de veludo. Acho pouco vantajoso. Depois percebi que só seria coisa de maconheiro se fosse de seda, embora o trocadilho aí seja totalmente incidental, e não material de stand-up comedy brasileiro. Maconheiro tem algo com ganesha, seda, estampa oriental, ocupação de qualquer lugar, revolta estudantil e rock progressivo. Como nem todo bom fã de blaxploitation sabe, somente o último se salva.

Roine Stolt nasceu em 1956, pela sua trajetória dava pra dizer que nasceu em 1856. Tocou em trocentas bandas, lançou caralhões de álbuns duplos, fez participações especiais em outras tantas obras. Partilha com o Jon Anderson da visão de um mundo positivo onde apenas a beleza reina, o que eu acho fenomenal, embora não compactue porque o Luiz Carlos Prates não iria gostar. Flower Kings, seu projeto mais famoso, é uma mistura deliciosa de rock progressivo com farofa. Não, infelizmente, bem glam metal, sem megahair, amplificador Marshall no talo, purpurina voando das caixa, sovaco lavado, tudo groupie, nada disso. Mas a maravilha expansiva e inevitavelmente cafona é presente, o que só pode resultar em saborosos momentos. No disco em tela (ainda que tenha o nome da banda, é um disco solo, nunca entendi também), Stolt se desdobra passeando pelos limites do que pode e não deve ser feito. É assim que se faz, é assim que se ama rapazeada.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

VA - 1999/2000 - Swinging Mademoiselle





Quando nasceu a atual adoração com vinil? Aparentemente, você ter um vinil do Bob Dylan te faz uma pessoa maravilhosa, mas por que? Não é nem pela raridade - ao contrário do que os fãs atuais possam achar, Bob Dylan fez sucesso pra caralho, você não foi escolhido por Deus pra conhecer tão obscura e secular obra. A volta do vinil indica que, sim, precisamos nos preocupar com a possibilidade da volta do piercing no umbigo. De acordo com o Mestre, um dia as feministas vão se juntar com os homossexuais, e aí será o fim do homem comum. Então por que se preocupar? Você não tem visões ao ouvir o estalo do vinil, você está ouvindo estalos só. Ninguém sente falta das TVs vagabundas que precisavam levar tapa pra funcionar? Ouvi especialistas dizendo que o som delas era melhor também, corram pros brechós porra!

Swinging Mademoiselle é um lançamento em dois volumes, sobre o qual não pesquisei muito. Prefiro o mistério no caso, ajuda bastante. São 32 músicas com exclusivamente mulheres sussurrando em francês, os arranjos são histriônicos como devem ser, tudo soa meio desafinado, a produção não é muito melhor do que gravado num banheiro de rodoviária propriamente temperado. Saca aquela série Nuggets de psicodelia, com ARTEFATOS dos anos 60? Isso aqui é a mesma porra, só que dançante, em francês, e rola um lance meio Wando Calcinha na sedução. Ou seja, muito melhor. A gravação é tão merda quanto, mas pelo menos não tem cara cantando letras idiotescas fora do tom. A benção de não falar francês é não entender que porra essas gurias estão cantando - vou supor que é tudo sobre homem malhando e não lavando o saco. Tem barulhinho de estalo em vinil porque, ao que parece, essa delícia não foi lançada em CD. Brilhante! Se não és viado, tens que ouvir várias vezes todos os dias.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Erik Satie - 1924 - Furniture Music (selected works)

Erik Satie, Honfleur, Normandia, 1866. Órfão de mãe escocesa, pai corretor de navios. Pai levou para a capital, paris, e entrou no conservatório com 14 anos, sem ultrapassar os medíocres wagnerianos da classe. Foi, em suas primeiras composições, alvo de crítica da elite intelectual da época. Sustensou-se com o piano tocado em cabarés e postíbulos, e influenciado pela fumaça na garganta de Eros compôs as Gymnopedies e Gnossiennes, peças consideradas excêntricas ou de mau gosto. O nome Gymnopedies foi tirado exclusivamente de um ritual em homenagem ao deus apolo, ensaiado por jovens desnudos (nudez somente simbólica, representando ausência de armas entre os guerreiros espartanos).

Sua estranha pontuação esparsa, muitas vezes escritos sem linhas de bar em tinta vermelha são salpicadas com as instruções whimsical: "Luz, como um ovo", "Aí vem a lanterna", "Abra sua cabeça", "abafar o som", "Com espanto", "Work it out yourself", etc.
Teve grande interesse pela música medieval, na década de 1880 esboçou recaída por uma seita religio-místico-ocultista da Rosicrusianism.

Foi também precursor da música ambiente, que ele chamava de musique d'ameublement. A música ambiente era por ele levada a idéia de poder ser usada como mobília, para preencher o ambiente. Segundo ele, era uma música que fizesse parte dos ruídos naturais e os levasse em conta, sem se impor, que tomasse conta dos estranhos silêncios que ocasionalmente caíam sobre os convidados, e que neutralizasse os ruídos da rua.

Na época que se associou com o movimento cubista resultou o ballet "parade", que escreveu com colaboração de Cocteau e Picasso.
Estrambólico, ele não foi bem aceito pelo público em geral de seu tempo, apesar dos esforços por Debussy e Ravel para promover suas obras.

O ridículo de Satie:

Em seu apartamento-de-um-quarto Satie tinha dois pianos, um colocado em cima do outro, seus pedais interligados; Tinha, no mesmo quarto, uma coleção de mais de 100 guarda-chuvas; Satie, uma vez comprou 12 ternos de veludo cinza, ao mesmo tempo. Ele usou um terno de cada vez até que ficasse extremamente gasto, então ele colocava um novo; Quando ele morreu, havia 6 ternos deixados em seu quarto, junto com seus guarda-chuvas.; Quando Satie foi criticado por escrever música sem forma, ele imediatamente compôs "Trois Morceaux en forme de poire" (Três Peças em forma de pêra. Duetos de piano).


Erik Satie - Furniture Music

Nos últimos anos de vida um projeto reuniu muitas obras distintas (Furniture Music). A música Cinéma - Music from Rêlache, a primeira do album, foi sonoplastia do curta Entr'Acte, de René Clair.
Curta originalmente criado para ser exibido na pausa entre’acte (entre atos) do ballet Relâche, no Théâtre des Champs-Elysées em Paris, em 1924. Francis Picabia e Eric Satie atuam no filme, juntamente com Marcel Duchamp e Man Ray, na cena do jogo de xadrez. Cinema dito surrealista, que dialoga com questões paradoxais ligadas à lembranças, sonhos, imaginação e conta a história de uma espécie de obstinação persecutória do artista, que faz com que todos os personagens se desintegrem.



Música última do album, Vexations, é aparentemente concebida para teclado (a única página do manuscrito não especifica um instrumento). Consiste em um tema curto cujas quatro apresentações são alternativamente ouvidas desacompanhadas e tocodas com acordes altos.
A peça traz uma inscrição que diz "A fim de desempenhar o tema 840 vezes em sucessão, seria aconselhável preparar-se de antemão, e no mais profundo silêncio, por possíveis remansos graves" (Pour si jouer 840 fois de suite motivo ce, il sera bon de si preparador au préalable, et dans le grand, mais silêncio, sérieuses par des immobilités). A partir da década de 1960, este texto tem sido quase sempre interpretado como uma instrução que a página de música deve ser tocada 840 vezes, embora isso possa não ter sido a intenção de Satie.




1. Cinéma - Music from Rêlache (film by René Clair)
2. Sonnerie pour réveiller le roi des singes
3. Furniture Music, Part 1: Curtain of a Voting Booth
4. Furniture Music, Part 2: Tapestry of Wrought Iron
5. Furniture Music, Part 3: Phonic Tiles
6. Vexations (excerpt)

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

VA - 1999 - The Ghost Orchid: An Introduction to EVP




Acordei no meio de uma floresta. Levantei-me pra mijar, olhei no relógio e eram 3 da manhã. Senti uma presença se aproximando. Minha dúvida com o sobrenatural sempre esteve na logística da coisa. Quero dizer, existirem fantasmas e reprises de Walker Texas Ranger numa mesma realidade parece exacerbado pra mim, incoerente. Como astronautas vivem suas vidas na Terra quando viram algo tão mais portentoso? Se daqui nós vamos para o sublime, por que alguém ainda sabe quem é Rafinha Bastos? Existe alguma sequência de American Ninja no paraíso? E se não existe outra vida além dessa, meu Deus, meu Deus, quando vou eu conversar com o Luiz Carlos Prates? Como vocês podem ver, questões existenciais sérias e profundas me cercam enquanto eu ajusto meus olhos à claridade. Gostaria de destacar, ainda nesse tema, que Limbo tem que ser o melhor joguinho da história de qualquer coisa desde sempre.

Ghost Orchid é uma compilação de fenômenos de vozes captados através de white noise em rádios. O disco é bem explicativo, quase toda gravação vem acompanhada de um magrão contextualizando. As mensagens são sempre curtas, e rola uma repetição no final o que, creio eu, é somente pra reforçar. Como se coisas tipo “eu sou Elvis Presley”, “nós somos águias” ou “para de me patolar” precisassem de reforço. Rola algumas vozes infiltrando no meio de transmissões feitas por aeronaves, no meio de músicas, em narrações gravadas, e rola até profecias. Num dos comentários, o malucão responsável por essa porra confessa não saber se as vozes são do além ou meramente ondas de rádio perdidas sendo captadas. Honestamente, se eu fosse um fantasma, a primeira coisa que eu faria seria colocar minha voz no meio de white noise. Não ia querer conhecer toda a vastidão desconhecida e inexplicada por seres humanos. Não, senhor. Eu ia querer única e exclusivamente falar uma frase nonsense por aí, só de sacanagem. 1 polegar e meio estendido pelo esforço, rapazeada. E é massa de ouvir próximo à hora do cachorro louco.