Acordei no meio de uma floresta. Levantei-me pra mijar, olhei no relógio e eram 3 da manhã. Senti uma presença se aproximando. Minha dúvida com o sobrenatural sempre esteve na logística da coisa. Quero dizer, existirem fantasmas e reprises de Walker Texas Ranger numa mesma realidade parece exacerbado pra mim, incoerente. Como astronautas vivem suas vidas na Terra quando viram algo tão mais portentoso? Se daqui nós vamos para o sublime, por que alguém ainda sabe quem é Rafinha Bastos? Existe alguma sequência de American Ninja no paraíso? E se não existe outra vida além dessa, meu Deus, meu Deus, quando vou eu conversar com o Luiz Carlos Prates? Como vocês podem ver, questões existenciais sérias e profundas me cercam enquanto eu ajusto meus olhos à claridade. Gostaria de destacar, ainda nesse tema, que Limbo tem que ser o melhor joguinho da história de qualquer coisa desde sempre.
Ghost Orchid é uma compilação de fenômenos de vozes captados através de white noise em rádios. O disco é bem explicativo, quase toda gravação vem acompanhada de um magrão contextualizando. As mensagens são sempre curtas, e rola uma repetição no final o que, creio eu, é somente pra reforçar. Como se coisas tipo “eu sou Elvis Presley”, “nós somos águias” ou “para de me patolar” precisassem de reforço. Rola algumas vozes infiltrando no meio de transmissões feitas por aeronaves, no meio de músicas, em narrações gravadas, e rola até profecias. Num dos comentários, o malucão responsável por essa porra confessa não saber se as vozes são do além ou meramente ondas de rádio perdidas sendo captadas. Honestamente, se eu fosse um fantasma, a primeira coisa que eu faria seria colocar minha voz no meio de white noise. Não ia querer conhecer toda a vastidão desconhecida e inexplicada por seres humanos. Não, senhor. Eu ia querer única e exclusivamente falar uma frase nonsense por aí, só de sacanagem. 1 polegar e meio estendido pelo esforço, rapazeada. E é massa de ouvir próximo à hora do cachorro louco.

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