sábado, 28 de janeiro de 2012

Karen Elson - 2010 - The ghost who walks


Voltado às raízes da música americana, o álbum da supermodelo e ex de Jack White é um deleite de tarde fria.

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

sobre a coisa mais idiota já escrita

Eu nunca tinha ouvido falar de Marcelo Moreira, preferia morrer sem tê-lo feito. Mas certas coisas são escritas como iscas irresistíveis, e aqui estamos nós. Um post no blog do Estadão contém esse título:

Música eletrônica é barulho, não é música

Vamos lá comigo?

Música eletrônica não passa de barulho, e DJ pode ser tudo, menos músico.

Nosso querido já começa bem: repetindo o título imbecil, gramática questionável e algo que vai ser repetido ad nauseam pelo texto todo. Estou levemente excitado já de início!

Aparentemente não há muito o que discutir sobre as duas máximas, mas há gente que insiste em brigar com os fatos, em espancar e torcer a realidade.

Fatos? Que fatos? Que música eletrônica não passa de barulho? Aphex Twin, Boards of Canada, Venetian Snares, The Field, Nicolas Jaar... Tudo barulho? Em algum ponto ele tem alguma razão, música é barulho essencialmente, mas, vamos e venhamos, estamos em 2012 e um jornalista musical não conhece nada disso. Acho que o apocalípse envolve ignorância sendo tomada como ciência.

Os recursos eletrônicos sempre foram levados em consideração a partir do momento em que se inventou o abominável sintetizador, no finalzinho dos anos 60, trambolho barulhento que encantou gente decente como George Harrison (Beatles) e Pete Townshend (The Who).

Uma rápida pesquisa no Google aponta que não, o sintetizador não foi inventado no "finalzinho dos anos 60". "Trambolho barulhento" não devia me surpreender, não tem a menor chance do Marcelão conhecer M83, Pet Shop Boys, Ladytron, Brian Eno. Note que não estou citando coisa ultra-desconhecida, isso é o básico que todo mundo que escreve sobre música devia ouvir. Mas, porra, Pet Shop Boys é gayzão.

Quando usado de forma inteligente e criativa, sem abuso, o sintetizador foi bastante útil, como nas trilhas sonoras compostas por Harrison e nas obras-primas do Who “Who’s Next” e “Quadrophenia”.

Acho curioso a utilização da palavra "inteligente" nesse texto, é meio como gato latindo. E a carreira solo do George Harrison é uma abominação.

Infelizmente, por outro lado, foi responsável por algumas das maiores porcarias já feitas dentro do rock.

Tipo a carreira solo do George Harrison?

Por que essa discussão surgiu?

Porque você é um imbecil.

Por dois fatos isolados. Um deles foi uma antiga entrevista de Edgard Scandurra, guitarrista do Ira!, uma extinta revista de música pop a respeito do Benzina, seu projeto paralelo dos anos 90 com forte influência da música eletrônica.

Eu gosto do Scandurra, mas comparar negativamente qualquer coisa com Ira! é bastante mongol.

Um amigo músico, ex-roqueiro e maluco por novas tecnologias, mas com gosto musical turvado pelas próprias porcarias eletrônicas que anda ouvindo, fez referência em uma festa ao fato de Scandurra ter feito elogios às possibilidades criativas a respeito da música cibernética e artificial, feita por máquinas.

Pronto! Finalmente ele falou o que todos estamos pensando, música eletrônica é artifical, feita por máquinas! Você já viu Tron? As máquinas são seres pensantes totalmente não dominadas por humanos, criadas com nenhum outro propósito além de destruir o meu rock and roll! Esse argumento, arJumento na verdade, é uma falácia tão idiotesca que pode ser desmontada no simples fato de tudo usado pra fazer música ser uma porra de uma máquina. A menos que você seja o Paul Stanley, aí sua guitarra é seu pau.

Para azar de meu amigo, ficou sozinho na defesa da “música eletrônica” na roda de amigos na área do churrasco. Foi massacrado por gente inteligente e que tem discernimento e que não se contenta com barulhos artificiais de computadores e sintetizadores.

Eu vejo o diálogo:

Amigo do Marcelo: Cara, música eletrônica não é só aquilo que você vê em vídeo de balada, há muito mais do...
Marcelo: Tem guitarras? Tem baixo? Tem bateria?
A. M.: Bom, não, mas é meio que o ponto, música é música, pode ser feita de qualquer maneira que...
Cabeludo: Sério, aquilo não é música, e quem passa anos estudando?
A.M.: A maioria dos produtores estudaram bastante tempo música!
M: Tem guitarras? Tem baixo? Tem bateria?
A.M.: Você já perguntou isso.
Cabeludo 2: Mas e escalas? Dj sabe o que é escala?
A.M.: Nem todo mundo que faz música eletrônica é DJ!
M: Tem guitarras? Tem baixo? Tem bateria?
A.M: Desisto.
Marcelo e os cabeludos: A INTELIGÊNCIA SEMPRE VENCE! [botam "Born to be Wild" pra tocar, coçam o cu e cheiram o dedo]

Quão fantástico teria sido se ele tivesse escrito "Dissernimento"?


O outro fato que suscitou esse texto foi uma acidental passagem por um fórum roqueiro de discussões na internet, vinculado a uma revista, em que alguém foi igualmente massacrado por elogiar o trabalho da dupla de DJs MixHell, formada por Iggor Cavalera, ex-baterista do Sepultura e atualmente no Cavalera Conspiracy, e sua esposa, a artista plástica Laima Layton.

Óbvio que um troço chamado MIXHELL vai ser uma merda, seu porra retardado. Um fórum roqueiro periga ser o lugar mais bosta do mundo.

Assim como qualquer outra trilha de danceteria, o trabalho do MixHell é forrado de barulhinhos eletrônicos irritantes, tem o som artificial de baixo estrondoso e ensurdecedor e sua “trilha melódica” é repetitiva e anódina, como convém às pista de dança. Ou seja, pode ser tudo, menos música.

Defina música. E não lhe ocorreu que, porra, o Cavalera não faz algo decente desde... Bem, sempre. Enfim, não ocorreu que ele possa ser ruim em música eletrônica sem que o resto do mundo o seja? Dez reais dizem que você teve que procurar "anódina" no Google.

Respeito demais o trabalho instrumental de Cavalera. Com certeza ainda é um dos mais importantes bateristas de heavy metal, criou um estilo rico e técnico, com peso e velocidade que viraram referência no estilo. A migração para o barulho eletrônico chocou os puristas.

Talvez porque, porra, não faz nenhum sentido ele se meter a fazer algo que não saiba?

Se a música eletrônica “amplia os horizontes criativos e as possibilidades musicais”, como acredita Edgard Scandurra, então não é o caso do próprio Benzina e muito menos do MixHell, cujos trabalhos, vamos dizer assim, estão bem abaixo das qualidades musicais que o guitarrista do Ira! e Cavalera sempre apresentaram em suas carreiras.

Aqui você me perdeu, caro Marcelo. Você está definindo TODA UMA FORMA DE ENCARAR A MÚSICA, nem um estilo, negativamente porque os trabalhos do Scandurra e do Cavalera não são bons na área? Que tipo de lógica é essa? Você procurou conhecer Autechre, Trentemøller, Gas, Four Tet, μ-Ziq.


Boa parte dos músicos consagrados e mesmo os de apoio costumam ser diplomáticos ao falar do uso de elementos eletrônicos em seus trabalhos, mas simplesmente ignoram o que conhecemos por música eletrônica, aquele barulho artificial e insuportável das pistas de dança.

MÚSICA ELETRÔNICA NÃO É SÓ ISSO. Porra, qualquer Zé estereotipar assim, foda-se. Mas um jornalista musical? Isso devia dar cadeia.

Alguns aceitam que produtores criem arranjos com base em barulhos de computador, outros até brincam com os mesmos barulhinhos que os DJs e os incluem de forma discreta em seus trabalhos. Mas são poucos os artistas sérios que realmente fazem uso desses recursos de forma explícita e escancarada.

Começo a suspeitar que você bebeu água de parto em excesso. Quem faz música eletrônica É produtor, e não necessariamente DJ. Produtores que aprenderam a mexer no estúdio, revirar cada instrumento por um timbre diferente, entendem de volume, dinâmica, etc. E entendem de música muito mais do que você ou o Iggor Cavalera.

Dois gigantes do rock cometeram trabalhos péssimos nos últimos 20 anos, seduzidos pela suposta “modernidade”. Eric Clapton escorregou feio com “Pilgrim”, de 1998, CD no qual suas guitarras foram soterradas por arranjos eletrônicos e barulhos artificiais.

Eric Clapton não lança algo de bom desde os tempos da Dercy usando biquini. Não tem nenhuma relação com música eletrônica.

Jeff Beck, outro gênio da guitarra, caiu na armadilha e gravou os insuportáveis “Jeff”, de 2001, e “You Had It Coming”, de 2003, sendo que já flertava com o estilo em 1999 no álbum “Who Else!” Beck gostou do resultado de sua ousadia, mas os fãs não. O jeito foi voltar ao rock, ao blues e ao jazz para gravar “Emotion & Commotion” neste ano.

Jeff é um belíssimo disco pra um artista da idade do Jeff Beck. O Emotion & Commotion é uma merda e não acrescenta nada a porra nenhuma.

É possível ficar dias e dias colhendo exemplos para torpedear o barulho eletrônico.

Acredite em mim, eu posso citar muito mais exemplos de música eletrônica boa do que você o contrário. Porque eu me informo antes de falar disso.

Quem gosta deste tipo de música se contenta com muito pouco.

Quem se contenta com muito pouco é a mulher que dá pra você, e eu esperei todo esse texto de merda pra fazer essa piada.

Isso não é música, e DJ não é músico, é um tocador de CD. No máximo, animador de festa. DJs que acham que são artistas não podem ser levados a sério. São o que são, o que já é demais.

Muitos produtores musicais estão na vanguarda da música, o que então é um "músico"? O que é um "artista"? A merda do Jet, que recicla todos os clichês do rock? O Metallica, que não lança nada que preste faz mais de 20 anos? Isso é um arista original, enquanto produtores, que constantemente pensam além do que podia ser feito, não são? Pra cada Jesus and Mary Chain existe 50 Foo Fighters, e pra cada Foo Fighters existem 50 bandas cover disso. O rock é assim original. Já alguém que busca fazer algo completamente novo, usando da tecnologia criada por seres humanos e não por robôs, é chamado de animador de festa?

Você, Marcelo Moreira, é um idiota completo.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Paradise Lost - 1995 - Draconian Times


Deus abençoe todos os cabeludos, pessoas de camiseta do Iron Maiden, tatuagem tribal, cara de malvado, cabelo raspadinho estilo Ronaldinho, Phil Anselmo procurando "homem" no google imagens sem filtro, guitarras distorcidonas, piada envolvendo pênis, e etc!

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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Shearwater - 2004 - Winged Life


Um som exuberante cheio de surpresas gentis. Winged Life faz de Shearwater mais que um projeto paralelo de Okkervil River. O trabalho duro do Shearwater faz deles um grupo sólido com seus próprios caminhos.

The Warlocks - 2007 - Heavy Deavy Skull Lover


Eu não sei se é crise de identidade, problema com imagem ou genialidade, mas The Warlocks têm uma cara diferente a cada álbum. Eles são bons, mas o Heavy Deavy Skull Lover é um dos álbuns que eu mais ouvi. Ele tem um som que parece meio frágil e pesado ao mesmo tempo. Ótimo para afogar-se em um lago de melancolia obscura.

Silver Jews - 1998 - American Water




Uma das coisas lindas na música é o culto a personalidade, aonde nossas preferências são tão subjetivas quanto a música em si. A tendência natural é agrupar, por isso há mais estilos do que propriamente individualidade. Não estou reclamando, isso não é um choro por mais música autoral, só que a personalidade dos músicos acaba se encaixando em gênero quase tanto quanto suas obras. A ampla maioria de nós é profundamente desinteressante, mas a humanidade em comum é das coisas mais inspiradoras. Sempre há, também, os idiotas que não chamam a atenção por nada além de uma espécie de prepotência com que tratam sua música. Você pode tentar soar arrogante, Deus, você pode até ser arrogante, mas achar que você é melhor do que os outros que fazem a mesma coisa? Não sendo melhor, você gera antipatia generalizada. Mas sendo? Você provoca uma inominável mistura de ódio com admiração.

David Berman começa o American Water cantando “In 1984 I was hospitalized for approaching perfection” da forma mais natural possível, com uma guitarra limpa repetindo os acordes mais simples do mundo. Ele nunca acelera, sua voz soa preguiçosa na música inteira, a bateria é leve, as guitarras são discretas, o baixo só acompanha. É como se ele não estivesse nem tentando. No final dos 4 minutos, “Random Rules” é uma das melhores músicas já escritas. Soa óbvia o tempo todo, mas as melhores coisas soam justamente assim. Está na nossa cara, quase como um deboche por não termos pensado antes. Seu sarcasmo é perceptível em cada sílaba recitada, raramente cantada, durante o disco. Nada parece ter qualquer esforço. Berman deixa a melodia mais bonita, “The Wild Kindness”, pro final, como conclusão de um universo inteiro dentro de pouco menos de 50 minutos, uma lembrança do porquê chegamos ali. Infelizmente, eu nunca o conheci e provavelmente nunca irei, então não sei se ele é assim cuzão. Prefiro acreditar que sim. Você pode tentar odiá-lo, mas, no final do dia, ele faz isso melhor do que você faria.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Yellow Swans - 2006 - Psychic Secession


Meu cachorro, o Juca, está de óculos escuro imitando o Stevie Wonder. Eu disse que ele é branco demais e que não tem a credibilidade nas ruas. Metade da minha conversa com o pacote de bolacha maisena não fez sentido, foi quase como se estivéssemos falando línguas diferentes. Movimentos de ocupação são vazios, disse o meu irmão pro seu dedão do pé, bem aquele que deu câncer no Bob Marley. Metade de 25% da população acha que 67% da população negra é 46% composta por brancos que tomaram 80% de sol, mas não há muito o que fazer. Teorização jornalística só provoca overdose de hipoglós, e ainda assim seu cu não vai voltar, mesmo que você não tenha feito jornalismo.

Assalto ritualístico enterrado abaixo de quilos e quilos de distorção e white noise. Uma das coisas mais bonitas já gravadas.

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Sun City Girls - Carnival Folklore Resurrection



Uma das bandas mais insanas, idiotas, assustadoras e geniais que já existiu, esses 3 filhos da puta passeiam por todos os gêneros possíveis, pervertendo cada um deles no caminho. Os irmãos Richard e Alan Bishop, juntos com o falecido Charles Gocher, são o Sun City Girls, um daqueles conjuntos que todo mundo ouviu falar mas ninguém se dá ao trabalho de escutar. Compreensível, e não dá pra dizer que é uma pena. Se você já usou o termo "tamo junto", ou pensou em usar, pare de ler isso agora mesmo, vá até ao banheiro, olhe-se fixamente no espelho, pegue algo pesado que esteja próximo e bata contra sua cabeça 10 vezes.

Carnival Folklore Resurrection é uma série de 14 álbuns, todos encontrados aqui (em um único link porque eu sou assim preguiçoso). É foda definir o que rola. Improvisações livres, música oriental, shoegaze, dream pop, metal, jazz, drone, folk, tudo. Eles fazem tudo melhor que todo mundo, o que é meio que o ponto. O defeito deles é justamente sua maior qualidade, a completa falta de foco que domina os CDs fazem deles uma audição realmente complicada, que pede tempo. Mas sua paciência será recompensada, há coisas aqui que fogem a qualquer explicação. Mais do que uma banda, eles criaram uma porra de um universo, selvagem e impenetrável. Deus os abençoe.

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Bufálo - 2012 - Cansei De Cantar Pra Você



A beleza da música está justamente na distância. Há uma gama de sentimentos e pensamentos tão vasta que pode ser expressada num breve acorde, e, sim, eu sei que soei igual a todo jornalista musical merda. Essa massiva e onipresente distância entre o que pode ser dito é elusiva, sempre confunde mesmo estando lá, nunca deixa que você abaixe sua cabeça, nunca é quieto. Os momentos mais barulhentos são aqueles aonde ninguém se mexe, aonde nenhum som escapa da multidão. Nos instantes mais esperançosos, é justamente a ausência dessa esperança que marca. Diálogos de uma única voz se formam, simplesmente estamos lá. Testemunhando essa alienação, somos todos melhores por isso. Em tudo reside um nada esperando ansioso pra saltar, e o inverso também é bastante verdade, como entenderam os rapazes da Búfalo.

Felipe e Renan fazem um folk lo-fi, que por vezes soa muito parecido com Thanksgiving, Microphones, Phosphorescent ou J. Tillman. Por vezes lembra Chico Buarque, aí não tem cu que aguente, mas é mais incomum, e mesmo assim acho que no fundo é conceitualmente interessante demais pra isso ser de fato um defeito. É um atestado a necessidade de pensar além, uma alternativa saudável pra quem odeia todo rockinho bosta que domina o cenário do sul brasileiro. Eles e a Loomer são duas bandas aqui do sul que merecem minutos do seu tempo, nem que seja pra ouvir jogando Mario Kart de Game Boy no emulador tomando refriscoca.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Top 10 - Discos Assustadores




O único defeito dessa obra é ser conceitualmente assustadora, é estruturado demais em sua ausência de estrutura. A ideia do disco, uma representação de cirurgia sem anestesia, lembra deveras aquele filme com o magrão que fez Star Wars, que ele tá descendo a jijoca na Jessica Alba. Coros de igreja, muitos barulhos de dentista, guitarras pesadonas, e 500 mil minutos no final do doce som de agulha batendo no final do vinil. O disco, por alguma sinestesia bizarra, passa bastante bem a sensação de estar em algum hospital nojento.





Versão Black Metal de música ambiente, isso aqui é bem perturbador. O som abafado dá a impressão de um ritual rolando logo ali, atrás da porta, dentro do banheiro, só esperando você entrar pra garrar na sua macaxeira com toda força e largar não bem grande. Hipnotizante, a possibilidade de dormir ao som disso causa miríades de pesadelos acordado. A melhor comparação pra essa obra deve ser o filme Begotten, só que as mulheres (sim, esse disco foi causado por duas mulheres) não conseguiram exatamente capturar a sensação de desconforto provocada pela película. De qualquer forma, rola bastante desconforto!





Graças ao lugar insano que é a internet, esse disco começou a ganhar um pouco de atenção. O equivalente musical do X no 4chan, isso aqui perturba justamente pela familiaridade. São medos conhecidos, uma mistura de temer demência com ver seu avô morto no espelho enquanto você apara os pentelhos. A carreira do James Kirby como The Caretaker é construída em torno da doença de Alzheimer, é uma exploração muitas vezes da suposta sensação. Há pouquíssimas coisas mais aterradoras do que a ideia de sentar encarando uma janela sem saber como você chegou lá ou como vai sair, e o Kirby acerta com total precisão aqui.





A estranheza do Jandek é bem documentada. Há pouca informação disponível sobre ele, suas capas geralmente são fotos distorcidas dele mesmo, e, apesar de ser um dos pioneiros do lo-fi, sua música é difícil de entender, muito mais ainda pra categorizar. Aqui em Ready for the House, ele maltrata o violão cantando sobre ficar pelado de tarde. O foda é que é mais doente pelo je ne sais quoi da coisa, há algo de desalentador na distância entre o normal e o que é encontrado aqui.





O nome é proveniente de uma tortura chinesa, aonde cortavam pedaços do corpo de algum meliante cheio de ópio, sendo que a droga era só pro cara não poder desmaiar mesmo. As imagens são graficamente chocantes, e os caras recebiam milhares de cortes. Além de servir de inspiração conceitual pro rock catarinense, é retratado aqui pelo John Zorn. Os berros desesperados do Yamatsuka Eye fazem a diferença aqui, mas o som é pesado e arrastadão, e surpreendentemente fiel à ideia inicial. Beira a sacanagem quando o saxofone do Zorn entra.





Antes de fazer trilha sonora pra alguns muitos filmes de porradaria delícia, Graeme Revell fundou o SPK numa instituição psiquiátrica em Sydney, com um dos seus pacientes. Simplesmente faz sentido demais. O som é aquele troço industrial que era famosinho nos anos 80, só que levado ao extremo. Samples fazem os vocais, a bateria é sempre tribal, cada segundo dessa porra é dissonante, barulhos de coisas quebrando e batendo saem do nada só pra te manter honesto. Isso é o som de suicídio, não só do ato, mas de tudo que leva a ele. Todas as coisas que nós abandonamos estão nos esperando nas sombras, isso aqui só não as ignora.





Não faço a menor ideia do que exatamente aqui que me perturba tão mal, mas só perturba. O disco é um texto narrado pelo Lucier, meramente explicando o que ele está fazendo, no caso gravar a própria voz num quarto fechado, tocar e gravar essa gravação, depois repetir o processo até que o eco domine tudo e suas palavras fiquem indiscerníveis. Eventualmente, o que se ouve é o quarto falando, e isso sempre me assustou. Não há muito o que possa ser falado sobre esse disco





Scott Walker fazia pop “barroco” daqueles bem típicos do final dos anos 60, de onde o viadinho do Alex Turner praticamente roubou o som do Last Shadow Puppets. Scott então sumiu completamente da cena, e voltou em 1995 com o insano Tilt. Tilt era barulhento, opressivo, triste, estranho e extremamente delícia. Sumiu de novo, em 2006 voltou com The Drift, aí ele foi além. Há pouquíssimas coisas mais perturbadoras do que a noção de um desenho se comportando diferente do que devia, sempre foi meu tipo de Creepy Pasta favorito. “The Escape” tem uma surpresa linda pra quem pensa dessa maneira, merece ser ouvido de noite com fone de ouvido com alguma atenção. Deus te abençoe, Scott.


 

O nome da primeira música é “I Cannot Feel You as the Dogs Are Laughing and I Am Blind”, e o som é exatamente isso, de alguma forma. Pra quem já viu a foto do cachorro sorrindo, não há mais nada que precisa ser dito.





O que resta quando não há mais ninguém? Isso é uma única faixa longa, um poema bastante sombrio narrado pelo David Tibet, e entre as estrofes há uma espécie de voz distorcida, como se murmurando palavras incompreensíveis, torturado. A música vai ficando cada vez mais estranha, e perto do final tudo para um pouco de fazer sentido, mas chegando lá você já está absorvido demais no terror pra sequer notar. Aqui a porra ficou séria. Os últimos minutos são o som da cabeça parando de fazer sentido, e não há nada mais assustador que isso.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Message To Bears - 2009 - Departures


Post-rock centrado em violões, baita ideia. Quase escrevi "idéia" porque eu sou assim retrô, mas aí eu teria que comprar um mac e deixar o bigode crescer, o que não daria certo pra mim porque não sou assim SENSUAL! Já ocorreram a vocês que o Stephen Hawking tem alguém pra limpar sua bunda há 70 anos? Faz-me pensar se ele gosta de Slayer, o que é total uma questão infundada. Todo mundo gosta. Message to Bears é música ambiente, elegante pacas, ideal pra quem tem dores de cabeça pra sempre como eu.

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Tá, foi mal.

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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

VA - Tokyo Flashback


Série Tokyo Flashback, do 1 ao 6, e rola ainda o Asian Flashback de bonus track edição japonesa (pra quem não é legalzão, os cds de rock farofa sempre vinham com algo assim pra edição japonesa, e sendo uma série de música asiática, eu sou simplesmente genial). Bom início pra quem quiser explorar a garagem hermética insana que existe no oriente. Eles não voltaram bem da bomba atômica, rapazeada!

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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

SEDATIV - 2002-2003


Espécie estranha de post-punk bem depressivo, extremamente lo-fi e etéreo da maneira mais assustadora possível. Não achei informação alguma sobre essa obra, nem faço questão. É daqueles discos que prefiro acreditar ser uma miragem, uma criação da minha cabeça. Sou feliz assim. Som de suicídio, fica bem com coca-cola light.


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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Volcano the Bear - 2003 - Classic Erasmus Fusion



Quando ouvi sobre esse disco, rodei cada canto absurdo da internet procurando. Achei alguns outros discos da banda, imagens do cachorro sorrindo, jogos satânicos, e num geral outras maravilhas que fizeram meu cabelo crescer sem que eu percebesse. Quão secular nós somos! Na época, o SoulSeek não funcionava, mas eventualmente ele cedeu e aqui nós estamos: Classic Erasmus Fusion. Belo free-folk, meio que na linha 330,003 Crossdressers do Sun City Girls, só que menos tesudo, mais engraçadinho. Boa trilha pra joguinhos do Mickey de Super Nintendo.

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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Bruce Springsteen - 1998 - Tracks



Embora pareça óbvio e lógico, você não faz música sem talento. Você pode tentar, certamente pode conseguir tropeçar em alguma música, mas num geral não acontece. Talento gira a porra do mundo, e talento é uma quantidade imensurável de algo completamente subjetivo, ou seja, foda-se a polícia Bruce Springsteen é foda. Não sei se o seu apelido de THE BOSS foi dado por ele mesmo, mas merece. Nos seus melhores momentos (que foram de Greetings from Asbury Park, N.J até Tunnel of Love), ele simplesmente soava que nem uma porra de um CHEFE. Temas sempre épicos, pendendo pro brega tanto quanto para o brilhante, sempre passeando pelo que pode ser feito e pelo que não deveria ser feito por ninguém nunca, mas constantemente soando melhor do que parece possível. Bruce Springsteen resume tudo o que eu gosto na música.

Esse trabalho em tela é um box com raridades e músicas que não couberam nos Cds. Assim como Orphans do Tom Waits, acaba sendo tão bom quanto qualquer outro cd dele, o que é bastante bom. “This is a town for losers”, meus queridos.