quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
[Hermetic Garage] Causa Sui - Discografia
Existindo num mundo aonde o Queens of the Stone Age nunca fez sucesso e sim o Kyuss, Causa Sui é um paraíso de distorção e jams que provavelmente pareceram mais curtas dado o nível de maconha dos músicos. Ainda assim um ótimo trabalho, grita verão tanto quanto bermuda ou pizza em camiseta azul marinho. As instrumentais são melhores, o vocal tende a pender um pouco pra palhaçada. Destaque absoluto pros 3 volumes de Summer Sessions, onde as músicas se misturam um pouco formando uma grande massa de qualquer porra. Em outras notícias, está quente pra caralho.
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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
[Hermetic Garage] Monkey3 - Discografia
Dando sequência à série, temos agora os suíços do Monkey3. O som é um stoner meio post-rock, bem espacial e num geral derrete como azulejos brancos. É instrumental e talvez seja melhor por isso, pessoal suíço provavelmente mandaria um vocal meio Rammstein e aí seria foda.
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
[Hermetic Garage] Baby Woodrose - Discografia
Dando uma pequena pausa na programação de metáforas ruins e péssimo uso de vírgulas, as próximas 2 semanas aqui serão dedicadas ao que há de melhor no psych rock atual. Grandes bandas fazem direito o que o Wolfmother faz tão mal e é uma pena que elas não sejam conhecidas. Como eu odeio o rock brasileiro talvez essa seja a minha forma de prestigiar uma cena com a qual me identifico e não tem ainda a exposição necessária. Quão nobre eu sou!
A primeira da lista vem da dinamarca e quase que eu confundi de novo com noruega, qual que queima igreja mesmo? O som do Baby Woodrose é deliciosamente simples, composto por riffs simples, tudo muito acelerado, refrãos pegajosos e num geral aquele sentimento de foda-se tudo. Como sou uma mãe e a discografia inteira está aí, é interessante destacar a evolução relativa pela qual a banda passou. A fórmula permaneceu a mesma com melhoras notáveis na produção. Destaque absoluto para aquele vídeo Tron Jeremy, aquilo foi fantástico.
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Roy Montgomery - 1996 - Temple IV
A guitarra cresceu de instrumento musical para algo mais como instrumento de dominação sexual. Nós amamos ver algum cabeludo jogando sua guitarra contra uma instransponível muralha de amplificadores, está no nosso código genético. É esteticamente agradável, muito embora por motivos inexplicáveis. Quando você para pra pensar, quebrar uma guitarra é a coisa mais idiota do mundo. Quando você não para pra pensar, e francamente essa é a melhor opção sempre, arremessar uma guitarra longe é sinônimo de libertação. Na eterna metáfora que é o rock and roll, nada grita mais rebeldia do que o guitar hero, aquele que passeia mais pelo circense do que outra coisa, completo com toda a palhaçada que tem direito.
Existindo numa esfera completamente diferente, alguns artistas conseguem o impensável de uma forma bem menos histérica. Honestamente, há espaço pra tudo. Em cada tempestade vive uma calmaria colorida com cores diferente, Deus abençoe a palheta de cores tão diversa que há para tudo. E para guitarra, não é realmente diferente. Você tem caras que tocam pelas costas, e pelo outro lado temos o inglês Roy Montgomery, que é um verdadeiro estudioso do instrumento. Soando como uma versão elétrica do John Fahey, Montgomery cria peças espaçosas, destinadas àquela zona cinza de música ambiente que necessita de atenção. É uma audição delicada, mas uma amplamente recompensadora.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Julio Iglesias - 2011 - Number 1 Vol 1
Dedicado a todos os corações apaixonados, com ternura. Não há nada melhor do que um mexicano oleoso pra aquecer a turbina do desejo. Destaque absoluto pro sotaque belo que permeia cada canção, verdadeira obra de arte.
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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Black Heart Procession - 1999 - 2
Eu não gostava do meu nome quando mais jovem, lembro que ficava frustrado pela ausência de algum apelido que encurtasse. Qual opção que há para Marcelo, Marça? Nomes são coisas curiosas, em objetos inanimados são reflexos relativamente coerentes do objeto em questão. Porra, um peido merece ser chamado de “peido”. Há poucos exercícios linguísticos mais recorrentes do que criar novos nomes pro pinto, simplesmente amamos essa porra. Nossos pais nos lembram constantemente de nossa primeira palavra, como um estigma a ser carregado por toda a vida. A minha foi “amor”, mas não necessariamente de uma forma romântica: era como meu pai pedia pra minha mãe buscar qualquer coisa. Há dois lados para cada palavra, pra cada nome. Só não há apelidos pro meu, mas eventualmente eu cresci e comecei a me referir a mim mesmo como “Great Gonzales” (mais pessoas deveriam entender essa referência).
Manterei curto: nomes de banda são uma arte, tão importante quanto a arte em si. Hoje em dia, eu comecei a apreciar mais Marcelo. Mas, porra, não é nenhum Black Heart Procession. Fantástico álbum pra um fantástico nome. “Blue Tears” em especial é das coisas mais bonitas e bregas da vida.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
The Astronauts - 1963 - Surfin' With The Astronauts
Eu costumava a surfar. Não, troço muito sério, surfava mesmo, era garoto de praia! Meu cabelo não era parafinado, mas meu escritório era definitivamente na praia e eu tava sempre na área. Minha parte favorita era largar a prancha, mergulhar o mais fundo que aquela porra de cordinha permitia, e então olhar pra cima. Ver os raios de luz achando seu caminho pela água é uma experiência bastante bonita. Surfar, no entanto, não é. Água viva também é um treco filho da puta. Não há tantas vantagens, num geral é mais legal pela TV. A rotina da praia também é cansativa, acho que há uma determinada quantidade de sanduíche natural plástico que alguém consegue comer sem morrer cagando, há um limite pro quanto de “PODE CRÊ” é tolerável até você alcançar um revolver. Sim, estou velho! Eu andava de skate também, o que explica eu ser meio imbecil até hoje.
Partilho do princípio que toda banda chamada The Astronauts devia lançar um disco chamado Surfin With The Astronauts, o mundo é assim sensacional. Surf music era um gênero viável, antes do Jack Johnson populizar e ser a única coisa que presta de um novo, sem qualquer relação com o antigo. Eu sempre ouço o disco que está sendo comentado enquanto escrevo o texto, e a utilização de vírgulas está especialmente delicada nesse caso. Há algo nessas guitarrinhas safadas que me faz querer desligar o cérebro, pegar uma cerveja, e assistir Waking Life! Okay, pro último eu precisaria remover meu cérebro, mas ainda assim, há algo de muito imbecilizante nesses arranjos bizarros, dos quais não posso não me perguntar qual é a relação com praia. Creio que é um daqueles tantos mistérios. Baixe porque, porra, quantos astronautas surfistas você conhece?
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
How To Dress Well - 2010 - Love Remains
Desde pequenos fomos programados por filmes de espionagem a temer, nunca realmente tivemos qualquer chance. Paranóia faz parte do nosso cotidiano, não somos ninguém sem nosso medo da própria sombra. Em algum ponto, há o impensável esperando pacientemente pela hora de atacar. Ele nos observa traçando planos, passando pelo medo e pela esperança com os mesmos. Ele nos vê cautelosamente confiando, só pra sussurrar palavras indizíveis no nosso ouvido, daquelas que aceleram o coração por nenhum outro motivo. Vivemos às sombras do imortal “e se?”, somos todos seus filhos. Há algo de sombrio escondido por trás de toda árvore na noite, seja hoje ou ontem. Nunca se mostra, só nos lembra da possibilidade de estar lá. Paranóia.
Eu prefiro acreditar que o Tom Krell, único membro do How to Dress Well, nunca saiu de casa. O som do Love Remains é o medo das desilusões possíveis, é o espião no canto do quarto, o tubarão perdido na piscina. É o ponto aonde a racionalidade desiste e PUTA QUE PARIU QUE PORRA DE LUZ FOI AQUELA QUE PASSOU PELA MINHA JANELA? Embora tenha sido descrito como bedroom R&B, não creio que faça justiça. E que merda é um bedroom R&B além do mais? Adiciona uma camiseta xadrez, óculos sem problema de visão, um croquete e você tem mais um plágio chamegador de mastro da Pitchfork. É impossível de comparar com o The Weeknd. O Weeknd se amarra lindamente ao hedonismo caricato mais adorável do mundo, o HTDW é só o medo de olhar na esquina. Os movimentos são lentos, borrados de distorção, fantasmagóricos em sua própria essência. É o medo de tudo.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Thanksgiving - 2004 - Welcome Nowhere
Músicos deviam aprender o verdadeiro escopo de suas composições. Não há expansividade sem uma boa justificativa, sem um conceito por trás. Você tem que trabalhar em algo, não esperar que venha naturalmente. Mas fique tranqüilo, não é um trabalho de verdade, mais como uma batalha. O que vence trabalho de verdade todos os dias da semana e duas vezes no domingo. Com inspiração, você tem uma batalha por um canal: Você descobre uma palavra nova, mas aonde colocá-la? Você cria uma música, mas como a veste? Teoricamente, você procura algo que a diferencie, aí que vêm a expansividade. O problema é a megalomania que a acompanha.
Alguns artistas conseguem fugir disso, caso do nosso querido Adrian Orange, A.K.A Thanksgiving. Welcome Nowhere faz totalmente justiça ao nome, é um registro lo-fi do que deve ser uma cidade fantasma. Mais do que qualquer outro disco lançado desde que Nebraska mostrou o gênero como possibilidade, o álbum do Thanksgiving aproveita a ausência causada pelo silêncio. A voz de Adrian funciona como uma vela, seu violão é a sombra, e nada mais habita aqui. Produzido pelo Phil Elvrum, o disco partilha algumas sensibilidades com o Microphones, mas é um animal completamente diferente. Aonde o Microphones é um inferno em sua tristeza, eterna e torturante, o Thanksgiving é só a morte. Expansivo no seu vazio, é uma das obras mais únicas já lançadas.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Earthless - 2008 - Live at Roadburn
Uma forma admirável de proceder na arte num geral é o extremo. O extremo é a coisa mais difícil de ser atingida, há uma linha tênue realmente minúscula que separa “extremo” de “extremamente idiota”. Por vezes fica óbvio, por outras é mais na sutileza. Se você tentar despertar algum tipo de emoção muito forte, boas chances são aquelas de descambar pela breguice (RIP Wando). Se sua prosa for demasiadamente rebuscada, grandes possibilidades de cair na autoparódia, versão ruim. Acho que deveria existir uma regra, e o fator determinante devia ser o rabo de cavalo do Steven Seagal. Passou daquilo é over, desnecessário e babaca. Menos que aquilo é perda de tempo. A vida não significa merda nenhuma sem um rabo de cavalo esculhambado num cabelo seboso ditando quem deveríamos ser.
Para toda a sutileza existente na arte do extremo, há casos que simplesmente fogem do racional. O Live at Leeds to The Who é um belo exemplo de som primal gravado numa época pouco usual, é até hoje amplamente considerado um dos melhores discos ao vivo de rock. Mas o que fazer com o Live at Roadburn, desses tão amáveis sem terra californianos? Como você processa esse som, ainda mais analisa? O que de crítica você pode fazer? Vai muito além de qualquer limite de extremo, volta, te chuta na testa e te faz esquecer tanto existencialismo. O porquê de tudo não consegue fazer sombra pro MEU DEUS QUE PORRA É ESSA QUE ESSE CARA TÁ FAZENDO COM A GUITARRA? Extremo na música é o mais inapelável que o subjetivismo aguenta. Há um desespero consolador em saber que você nunca fará algo tão bem quanto o Isaiah Mitchell toca guitarra. Dois rabos de cavalo do Steven Seagal firmemente em riste!
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Lambchop - 1996 - How I Quit Smoking
Nada é maior que seu símbolo, tudo é uma metáfora esperando ser percebida. A facilidade de juntar palavras com conceitos assola toda a família humana, todos estamos bêbados na nossa própria genialidade. O século XXI produziu aparentemente uma nova profissão, o agitador cultural, versão craque Neto para a – não! Não vou falar geração Y. Sedentos por informação, nos deparamos com postagens imensas no Facebook, aonde parece ser impossível não soar condescendente. Acho que existe algo no óbvio que o torna ainda mais óbvio, é parecido com a minha patenteada ideia de criar água em pó, que faria a água ficar mais aguosa. Sinto-me velho, ultrapassado, não consigo correlacionar com porra nenhuma disso. Talvez meu cérebro tenha derretido porque eu assisti DUAS temporadas de Digimon, talvez eu não consigo ver sentido porque o problema está em mim, ou talvez eu tenha entendido antes quão difícil é montar uma metáfora por todo um parágrafo. Deus! Como disse no começo, nada é maior do que seu símbolo; nenhum agitador cultural é maior do que seu histrionismo.
Numa época onde tudo fica registrado, não apreciamos como deveríamos o mero fato de certas coisas terem sido registradas. Thomas Pynchon poderia ter dado uma cagada monstra ao invés de escrever Gravity’s Rainbow, Shigeru Miyamoto poderia ter distendido o bago esquerdo ao invés de criar Mario e salvar minha vida, eu poderia ter ficado em casa aquele dia ao invés de conhecer meu amor em Ilhota, Kurt Wagner poderia ter parado de fumar sem registrar a luta. Eu entendo que deixar de fumar é uma metáfora, sim, o primeiro parágrafo faz sentido, ele tende a fazer. Parar de fumar é bater um vício, um que faz nos matar teoricamente mais rápido do que a vida em si. Fica claro que o vício principal cantado pelo Lambchop é algum descontentamento, algo como uma agonia generalizada. E com isso, meus amigos, eu consigo correlacionar por vezes, e por outras acho só inspirador mesmo. Musicalmente, me lembra algo como um Eels misturado com Silver Jews, ou seja, dois polegares apontando sem escala pros portões do paraíso, Hosana nas alturas!
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Cliff Martinez - 2011 - Drive
Os anos 80 são grosseiramente subestimados. Em algum ponto, vocês pessoas esqueceram o sentido por trás de um sintetizador merda, dos ternos roxos Miami Vice, das baterias eletrônicas que soam como peidos. O idiota do Dave Grohl está errado, é sim como soa no computador o que conta, não o je ne sais quoi de aprender a tocar violão que todo cabeludo ama citar. Eu confio mais na máquina do que no operador, gosto de imaginar que os sintetizadores tocam sozinhos. Estranhamente o suficiente, há mais alma em não ter alma do que o contrário. Todos os sintetizadores medas, os ternos roxos Miami Vice, as baterias eletrônicas que soam como peidos, cada uma dessas porras passa uma desolação misturada com esperança absolutamente única. É a humanidade buscando a perfeição, falhando, e se contentando em não se importar, conscientemente ou não. Lindo.
Drive é um dos melhores filmes em muito tempo por abusar da estética oitentista. Está lá. Na jaqueta de escorpião que o protagonista usa o filme todo, na lentidão de cada diálogo, no brilho decadente dos vilões, na esperança impossível do magrão que faz Breaking Bad em se dar bem com algo notório. O filme grita anos 80, mas não abra suas asas, libere suas feras. E sim o lado negro, que amplamente passa ignorado. Aquilo que faz do New Order um som tão desesperador quanto o Joy Division. A trilha sonora, em parte feita pelo Cliff Martinez, em outra parte por bandas atuais que replicam brilhantemente o som da década tão amada, passa isso perfeitamente, até na ordem das músicas. As primeiras 5 músicas são as das bandas, uma melhor que a outra. Tudo soa exagerado e fora de proporção, menos os vocais, numa declaração romântica para a máquina. Somos menores que ela, afinal. Depois vem a trilha do Cliff Martinez, 14 músicas ambientes feitas em sintetizadores também. Soa uma versão menos palhaçada do trabalho dos anos 80 do Tangerine Dream. O mais brilhante é como tudo parece uma versão musical do deserto morto de Mad Max, só que com luzes de neon por tudo. Repetindo o final do primeiro parágrafo, lindo.
Salem - 2010 - King Night
Sabe de uma coisa, há algo sobre a dimensão do universo que não encaixa na minha cabeça. Eu sempre tento ler artigos de física no Wikipédia, a beleza de ser leigo é poder não entender nada, é até esperado de você. Ainda assim, eu não consigo não ficar um pouco desapontado. Eu sempre achei que eu seria daquelas pessoas com capacidade sobrenatural de aprender qualquer porra muito rápido: aprender a falar japonês só de ver Power Rangers, aprender a cantar só de ouvir algum K7 do Wando (RIP meu anjo), aprender a VIVER com Walker Texas Ranger. Acho que não sou uma dessas pessoas. Nunca vou saber que merda é um buraco de minhoca, nem qual sua relevância na minha vida.
Todos os mistérios na vida, sendo a vida em si o mais intransponível, claramente estão acima de qualquer racionalidade. Isso não é sobre nós não usarmos todo o nosso cérebro, é sobre ele ser só um cérebro. Deus deve ter um som estranho, errado, torto, certamente sem qualquer relação com os cantos angelicais clichês que nós criamos. Os idiotas do Salem, que tem um EP intitulado de “Yes, I Smoke Crack”, nome que choca pelo mesmo motivo que o faz autoparódia, conseguiram algo da linha na faixa título do King Night. É uma discoteca arrastada, desconfigurada, sendo bonito e medonho ao mesmo tempo. Equivale, de algum modo, a encontrar erro gramatical na bíblia. Cria um clima como nenhuma outra, e o resto do disco consegue por momentos repetir esse súbito delírio. Como eles fizeram é um mistério, talvez um dia esteja no Wikipédia, aonde eu ainda não vou manjar.
Queria um buraco de minhoca prático, direto pro meu amor.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Oblivians - 1997 - Play 9 Songs With Mr. Quintron
Estou cansado. A facilidade que as palavras encontravam em sair da minha boca desapareceu, agora é difícil extrair cada vírgula. Cada letra é uma batalha eterna, mas ainda assim minha cabeça é incapaz de calar a boca. Períodos negros, meus amores, épocas complicadas. Algumas vezes é foda de manter a perspectiva, todos já estivemos lá, eu estou sendo ainda mais clichê. Há beleza na tristeza, mas nem em toda. Há tristeza idiota, mongol, feia, das tragédias que nunca viraram história justamente por não serem interessantes o suficiente. Estamos todos caminhando pra lá numa velocidade impressionante, ser irrelevante é uma possibilidade distinta, amedrontadora. Confronto-me com a minha imensa vontade de mijar, e pergunto: eu já tive algum talento? Eu gosto de escrever, não gosto do que escrevo, mas gosto da sensação de escrever. A maravilha do mundo moderno é a facilidade com que qualquer Zé cria um blog e desfila esse tipo de pensamento merda, a internet é um brado de todas as vítimas da irrelevância, como eu. Ei, ninguém pode me culpar, é sexta-feira e eu estou em casa.
Mas alguns filhos da puta conseguem fazer todo esse pensamento ser apagado. Por um instante, foda-se tudo que me incomoda. Foda-se tudo que eu não gosto em mim mesmo. Foda-se tudo que não gosto em basicamente todo mundo. Foda-se o futuro, a ausência dele, o passado, a presença dele. Foda-se as noites mal dormidas. O disco em tela saiu em 1997, mesmo ano de OK Computer, Homogenic, The Colour and the Shape e Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space. Todos esses são discos realmente ambiciosos e, tirando Foo Fighters que é uma aberração, todos sucederam relativamente nessa expansividade. O álbum dos nossos queridos Greg e Jack Oblivian (ei, se aprendi algo com o White Stripes, é que esses dois deviam se comer) não partilha disso. Aonde é tão fácil confundir “simples” com “simplório”, esses putos decidiram não arriscar. É guitarra ignorante, martelada, bateria primitiva, baixo feioso, e gritos atrás de gritos. O teclado do Quintron trás tudo pra Terra de volta, mas só depois dos 27 de duração do disco. O que tem durante é lindo, primitivo, irracional. Boa música é aquela que consegue carregar consigo o foda-se pra tudo isso. É aquela, também, que não pode ser realmente analisada. Destrói seus problemas, mas não de um jeito cuja essência possa ser capturada em palavras. Se você estiver fora, não vai conseguir entender. Se estiver dentro, não vai conseguir explicar. Deus abençoe.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Crippled Black Phoenix - 2010 - I, Vigilante
Estou morando na Bahia agora, logo já noto as diferenças. Fui pedir informações pra um magrão sentado na beira da praia, ele levantou e pareceu feliz de me indicar aonde havia um mercado. A população é feia, mas, ei, encontrei Meridiano de Sangue na livraria Cultura. O calor faz os dias passarem como borrões de café. Ainda estou me acostumando, perdoem minha ausência de literatura.
Nome de banda de metal, capa mais ainda, nome de disco soando meio Mars Volta ou Sound of Animals Fighting. Graças a Deus não é nada disso, embora eu aprecie um metal, mas Mars Volta é coisa de quem quer dar a bunda pro vizinho mas não sabe como pedir. O que rola aqui é um post-rock meio rock progressivo, tipo um Pink Floyd atualizadão, o que é meio o clichê quando se analisa essa banda. Outro clichê é chamar de super grupo, tendo gente do Mogwai e do Electric Wizard. Gosto de pensar nisso como o que o Porcupine Tree seria se o Wilson fosse menos brega. O talento é palpável, tudo aqui soa deliciosamente. Dois polegares firmemente enrijecidos.
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Acid Louise - 2012 - I like to keep you quiet
Vale a pena conferir o trabalho deles, o EP já somou muitas execuções ao meu média player.
Playlist:
Breath
Built it up, burn it down
In his arms
More than we can do
Stuck in this love
Site da banda
MySpace
Download gratuito do EP
Whip it - 2009 - soundtrack
Melhor soundtrack até hoje.
Playlist:
Tilly and the Wall - "Pot Kettle Black"
Ramones - "Sheena Is a Punk Rocker"
Cut Chemist feat. Hymnal - "What's the Altitude"
The Breeders - "Bang On"
The Raveonettes - "Dead Sound"
Clap Your Hands Say Yeah - "Blue Turning Grey"
Jens Lekman - "Your Arms Around Me"
Gotye - "Learnalilgivinanlovin"
Peaches - "Boys Wanna Be Her"
Dolly Parton - "Jolene"
38 Special - "Caught Up in You"
Har Mar Superstar feat. Adam Green - "Never My Love"
Goose - "Black Gloves"
The Ettes - "Crown of Age"
Landon Pigg feat. Turbo Fruits - "High Times"
Little Joy - "Unattainable"
The Chordettes - "Lollipop (Squeak E. Clean & Desert Eagles remix)"
The Go! Team - "The Power Is On"
Apollo Sunshine - "Breeze"
Turbo Fruits - "Fun Dream Love Dream" (on Amazon MP3 version)
Young MC - "Know How" (on iTunes version)
The Section Quartet - "The Road to Austin" (on iTunes version)
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
um breve pedido de desculpa
Meus dois leitores, encarecidamente peço perdão pela redução nas minhas postagens. Estou passando por uma mudança, e como toda mudança há um período conturbado. Espero a compreensão de vocês todos, meus leitores imaginários.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Brian Eno - 1978 - Ambient 1: Music for Airports
Gentil, elegante e etéreo. Não foi o primeiro disco de música ambiente, mas foi aonde tudo fez sentido, e um belíssimo gênero veio ao mundo. Oh, glória! Amanhã viajarei de avião, rezem por mim ou esse blog vai ser mal assombradão.
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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Týr - 2009 - By the Light of the Northern Star
Só pra mostrar que nem só de alternatividade vive o homem, mas também do bom e velho folk progressive viking pagan motherfucker metal que nos dá vontade de arrotar hidromel e comer um pernil inteiro com as mãos.
Mais um álbum da série 'who cares about your cultness'
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