Estou cansado. A facilidade que as palavras encontravam em sair da minha boca desapareceu, agora é difícil extrair cada vírgula. Cada letra é uma batalha eterna, mas ainda assim minha cabeça é incapaz de calar a boca. Períodos negros, meus amores, épocas complicadas. Algumas vezes é foda de manter a perspectiva, todos já estivemos lá, eu estou sendo ainda mais clichê. Há beleza na tristeza, mas nem em toda. Há tristeza idiota, mongol, feia, das tragédias que nunca viraram história justamente por não serem interessantes o suficiente. Estamos todos caminhando pra lá numa velocidade impressionante, ser irrelevante é uma possibilidade distinta, amedrontadora. Confronto-me com a minha imensa vontade de mijar, e pergunto: eu já tive algum talento? Eu gosto de escrever, não gosto do que escrevo, mas gosto da sensação de escrever. A maravilha do mundo moderno é a facilidade com que qualquer Zé cria um blog e desfila esse tipo de pensamento merda, a internet é um brado de todas as vítimas da irrelevância, como eu. Ei, ninguém pode me culpar, é sexta-feira e eu estou em casa.
Mas alguns filhos da puta conseguem fazer todo esse pensamento ser apagado. Por um instante, foda-se tudo que me incomoda. Foda-se tudo que eu não gosto em mim mesmo. Foda-se tudo que não gosto em basicamente todo mundo. Foda-se o futuro, a ausência dele, o passado, a presença dele. Foda-se as noites mal dormidas. O disco em tela saiu em 1997, mesmo ano de OK Computer, Homogenic, The Colour and the Shape e Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space. Todos esses são discos realmente ambiciosos e, tirando Foo Fighters que é uma aberração, todos sucederam relativamente nessa expansividade. O álbum dos nossos queridos Greg e Jack Oblivian (ei, se aprendi algo com o White Stripes, é que esses dois deviam se comer) não partilha disso. Aonde é tão fácil confundir “simples” com “simplório”, esses putos decidiram não arriscar. É guitarra ignorante, martelada, bateria primitiva, baixo feioso, e gritos atrás de gritos. O teclado do Quintron trás tudo pra Terra de volta, mas só depois dos 27 de duração do disco. O que tem durante é lindo, primitivo, irracional. Boa música é aquela que consegue carregar consigo o foda-se pra tudo isso. É aquela, também, que não pode ser realmente analisada. Destrói seus problemas, mas não de um jeito cuja essência possa ser capturada em palavras. Se você estiver fora, não vai conseguir entender. Se estiver dentro, não vai conseguir explicar. Deus abençoe.

Nenhum comentário:
Postar um comentário