Sabe de uma coisa, há algo sobre a dimensão do universo que não encaixa na minha cabeça. Eu sempre tento ler artigos de física no Wikipédia, a beleza de ser leigo é poder não entender nada, é até esperado de você. Ainda assim, eu não consigo não ficar um pouco desapontado. Eu sempre achei que eu seria daquelas pessoas com capacidade sobrenatural de aprender qualquer porra muito rápido: aprender a falar japonês só de ver Power Rangers, aprender a cantar só de ouvir algum K7 do Wando (RIP meu anjo), aprender a VIVER com Walker Texas Ranger. Acho que não sou uma dessas pessoas. Nunca vou saber que merda é um buraco de minhoca, nem qual sua relevância na minha vida.
Todos os mistérios na vida, sendo a vida em si o mais intransponível, claramente estão acima de qualquer racionalidade. Isso não é sobre nós não usarmos todo o nosso cérebro, é sobre ele ser só um cérebro. Deus deve ter um som estranho, errado, torto, certamente sem qualquer relação com os cantos angelicais clichês que nós criamos. Os idiotas do Salem, que tem um EP intitulado de “Yes, I Smoke Crack”, nome que choca pelo mesmo motivo que o faz autoparódia, conseguiram algo da linha na faixa título do King Night. É uma discoteca arrastada, desconfigurada, sendo bonito e medonho ao mesmo tempo. Equivale, de algum modo, a encontrar erro gramatical na bíblia. Cria um clima como nenhuma outra, e o resto do disco consegue por momentos repetir esse súbito delírio. Como eles fizeram é um mistério, talvez um dia esteja no Wikipédia, aonde eu ainda não vou manjar.
Queria um buraco de minhoca prático, direto pro meu amor.

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