sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Roy Montgomery - 1996 - Temple IV




A guitarra cresceu de instrumento musical para algo mais como instrumento de dominação sexual. Nós amamos ver algum cabeludo jogando sua guitarra contra uma instransponível muralha de amplificadores, está no nosso código genético. É esteticamente agradável, muito embora por motivos inexplicáveis. Quando você para pra pensar, quebrar uma guitarra é a coisa mais idiota do mundo. Quando você não para pra pensar, e francamente essa é a melhor opção sempre, arremessar uma guitarra longe é sinônimo de libertação. Na eterna metáfora que é o rock and roll, nada grita mais rebeldia do que o guitar hero, aquele que passeia mais pelo circense do que outra coisa, completo com toda a palhaçada que tem direito.

Existindo numa esfera completamente diferente, alguns artistas conseguem o impensável de uma forma bem menos histérica. Honestamente, há espaço pra tudo. Em cada tempestade vive uma calmaria colorida com cores diferente, Deus abençoe a palheta de cores tão diversa que há para tudo. E para guitarra, não é realmente diferente. Você tem caras que tocam pelas costas, e pelo outro lado temos o inglês Roy Montgomery, que é um verdadeiro estudioso do instrumento. Soando como uma versão elétrica do John Fahey, Montgomery cria peças espaçosas, destinadas àquela zona cinza de música ambiente que necessita de atenção. É uma audição delicada, mas uma amplamente recompensadora.

Nenhum comentário:

Postar um comentário