Eu não gostava do meu nome quando mais jovem, lembro que ficava frustrado pela ausência de algum apelido que encurtasse. Qual opção que há para Marcelo, Marça? Nomes são coisas curiosas, em objetos inanimados são reflexos relativamente coerentes do objeto em questão. Porra, um peido merece ser chamado de “peido”. Há poucos exercícios linguísticos mais recorrentes do que criar novos nomes pro pinto, simplesmente amamos essa porra. Nossos pais nos lembram constantemente de nossa primeira palavra, como um estigma a ser carregado por toda a vida. A minha foi “amor”, mas não necessariamente de uma forma romântica: era como meu pai pedia pra minha mãe buscar qualquer coisa. Há dois lados para cada palavra, pra cada nome. Só não há apelidos pro meu, mas eventualmente eu cresci e comecei a me referir a mim mesmo como “Great Gonzales” (mais pessoas deveriam entender essa referência).
Manterei curto: nomes de banda são uma arte, tão importante quanto a arte em si. Hoje em dia, eu comecei a apreciar mais Marcelo. Mas, porra, não é nenhum Black Heart Procession. Fantástico álbum pra um fantástico nome. “Blue Tears” em especial é das coisas mais bonitas e bregas da vida.

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