Desde pequenos fomos programados por filmes de espionagem a temer, nunca realmente tivemos qualquer chance. Paranóia faz parte do nosso cotidiano, não somos ninguém sem nosso medo da própria sombra. Em algum ponto, há o impensável esperando pacientemente pela hora de atacar. Ele nos observa traçando planos, passando pelo medo e pela esperança com os mesmos. Ele nos vê cautelosamente confiando, só pra sussurrar palavras indizíveis no nosso ouvido, daquelas que aceleram o coração por nenhum outro motivo. Vivemos às sombras do imortal “e se?”, somos todos seus filhos. Há algo de sombrio escondido por trás de toda árvore na noite, seja hoje ou ontem. Nunca se mostra, só nos lembra da possibilidade de estar lá. Paranóia.
Eu prefiro acreditar que o Tom Krell, único membro do How to Dress Well, nunca saiu de casa. O som do Love Remains é o medo das desilusões possíveis, é o espião no canto do quarto, o tubarão perdido na piscina. É o ponto aonde a racionalidade desiste e PUTA QUE PARIU QUE PORRA DE LUZ FOI AQUELA QUE PASSOU PELA MINHA JANELA? Embora tenha sido descrito como bedroom R&B, não creio que faça justiça. E que merda é um bedroom R&B além do mais? Adiciona uma camiseta xadrez, óculos sem problema de visão, um croquete e você tem mais um plágio chamegador de mastro da Pitchfork. É impossível de comparar com o The Weeknd. O Weeknd se amarra lindamente ao hedonismo caricato mais adorável do mundo, o HTDW é só o medo de olhar na esquina. Os movimentos são lentos, borrados de distorção, fantasmagóricos em sua própria essência. É o medo de tudo.

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