Músicos deviam aprender o verdadeiro escopo de suas composições. Não há expansividade sem uma boa justificativa, sem um conceito por trás. Você tem que trabalhar em algo, não esperar que venha naturalmente. Mas fique tranqüilo, não é um trabalho de verdade, mais como uma batalha. O que vence trabalho de verdade todos os dias da semana e duas vezes no domingo. Com inspiração, você tem uma batalha por um canal: Você descobre uma palavra nova, mas aonde colocá-la? Você cria uma música, mas como a veste? Teoricamente, você procura algo que a diferencie, aí que vêm a expansividade. O problema é a megalomania que a acompanha.
Alguns artistas conseguem fugir disso, caso do nosso querido Adrian Orange, A.K.A Thanksgiving. Welcome Nowhere faz totalmente justiça ao nome, é um registro lo-fi do que deve ser uma cidade fantasma. Mais do que qualquer outro disco lançado desde que Nebraska mostrou o gênero como possibilidade, o álbum do Thanksgiving aproveita a ausência causada pelo silêncio. A voz de Adrian funciona como uma vela, seu violão é a sombra, e nada mais habita aqui. Produzido pelo Phil Elvrum, o disco partilha algumas sensibilidades com o Microphones, mas é um animal completamente diferente. Aonde o Microphones é um inferno em sua tristeza, eterna e torturante, o Thanksgiving é só a morte. Expansivo no seu vazio, é uma das obras mais únicas já lançadas.

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