terça-feira, 3 de abril de 2012

segunda-feira, 2 de abril de 2012

[Folk Death Songs] In Gowan Ring - 2002 - Hazel Steps Through a Weathered Home



Em primeiro lugar, não posso fazer um texto honesto sobre o álbum em tela porque estou ouvindo Bruce Springsteen. Em segundo lugar, todo cabeludo adora fazer fogueira em festival e isso aqui é bem música de fogueira, então seguindo pela lógica esse disco impulsionará vosso crescimento capilar. Em terceiro lugar, essa capa de disco parece um órgão sexual feminino fortemente deformado. Em quarto lugar, so say goodbye, it's independence day.

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sexta-feira, 30 de março de 2012

[Folk Death Songs] Mariee Sioux - 2007 - Faces in the Rocks



Excepcional disco de folk, a descendência indígena da moça fica evidente nos arranjos e na temática. Hoje em dia a palavra "folk" foi meio banalizada, até Jack Johnson ou Matt Costa viraram folk. Falta Igreja Evangélica do Reino de Deus no coração da rapazeada.

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quinta-feira, 29 de março de 2012

terça-feira, 27 de março de 2012

[Folk Death Songs] Mirel Wagner - 2011 - Mirel Wagner




Por que fazemos música? Alguns rapazes invariavelmente aprendem a tocar certo instrumento pelo fator feminino que vem envolvido, o cara tocando guitarra tem o mesmo efeito do cara tocando um dildo gigantesco. É latejante, como se estivessem em um ponto acima na evolução, aprenderam a socar a mulher mais forte antes de levá-la até alguma caverna. Passando por esse nível imbecil da coisa, temos a explicação do lado negro humano. Cantamos pra não nos enforcamos com nossas palavras. Celebramos nossos sentimentos arcaicos. Dançamos nossa melodia desgovernada e idiotizada por reprises de talk show, programas evangélicos, barba parecendo pentelho no rosto e surfe. Podíamos ter sido grandes, mas não fomos, então por que não expressar isso?

Proveniente da Finlândia, a Mirel Wagner conseguiu em nove músicas ser tão expressiva sem manifestar qualquer expressão. Suas músicas são de um desapego emocional profundo, que ao mesmo passo contrasta e combina com as letras bucólicas. Os temas já foram explorados, porém é refrescante ver tamanha honestidade e crueza. Os sons do disco são todos da voz ou do violão da intérprete e o espaço aberto no som é mais pesado do que qualquer outro artifício seria na tentativa de alcançar o mesmo efeito. Menos é mais, rapazeada. Fazemos música porque ocasionalmente acertamos de uma forma tão sublime ao modo que o motivo nunca precisa ser realmente conhecido.

segunda-feira, 26 de março de 2012

[Folk Death Songs] Hallock Hill - 2011 - The Union



Série de 10 dias com discos desconhecidos e opressores de folk. The Union é um belo exemplar de American Primitivism, com um elegante toque acústico e melodias oblíquas.

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quinta-feira, 22 de março de 2012

Zoo Kid - 2010 - Out Getting Ribs



Okay, subir uma música parece um truque realmente barato, mas, porra, esse rapaz tinha 16 anos quando compôs essa música. Essa guitarra foi criada por um magrão de 16 anos. Chega a ser obsceno. Quando eu tinha 16 anos, no entanto, estava zerando DOOM pela 89ª vez, então ainda estou ganhando.

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quarta-feira, 21 de março de 2012

Mos Def -1999 - Black on Both Sides




Lindo álbum. Eu costumava a ouvir bastante quando andava da casa do meu amor até o supermercado. Voava os corredores com essa maravilha, fazendo cara de feeling. Verão, então sempre quente, mas era bom sair e saber que ao voltar ela ainda estaria lá. Então associei esse disco àqueles dias, como tantas outras coisas. E “Ms. Fat Booty” é a melhor música “romântica” no hip hop e o final é espetacularmente engraçado.

terça-feira, 20 de março de 2012

Meshuggah - 2007 - Koloss




Shadow of the Colossus é o jogo mais poético já feito. O seu personagem chega a um templo com sua amada morta em braços, joga-a sob um altar e começa a conversar com Deus. Sua tarefa é matar os 16 Colossus que vivem nessa terra, assim Ele reviveria sua amada. Premissa extremamente japonesa, mas se torna verdadeiramente universal com o desenrolar do jogo. Os monstros não querem te atacar, eles não te fazem mal e matá-los é um ato até certo ponto cruel. Eles estão lá na sua natureza, você é o elemento estranho. Em muitos modos, você é o vilão. A pele de seu personagem fica cada vez mais pálida, o propósito fica cada vez mais esquecido à medida que você mata mais e mais desses monstros nessa terra inabitada. Não há outras batalhas além dessas 16, não há interação com nada, o mundo é enorme e vazio. Desolador. A chegada ao último Colossi é dramática e triste e após derrotar esse último “inimigo” vem o ato final do jogo, uma das coisas mais bonitas e melancólicas já realizadas. O jogo te consome, eu ficava cansado após cada batalha. Saiu em HD agora no Playstation 3 e eu daria qualquer dedo do pé pra poder jogar assim, é uma experiência que não deveria ser perdida por ninguém. Ficar no ombro de um desses gigantes algumas muitas vezes maior do que você é o tipo da coisa que não pode ser definida de outra forma além de “Caralho!”.

Algumas obras só podem ser definidas assim, sua admiração chega num ponto em que racionalizar seria um erro. Mais de 20 anos de carreira e os suecos do Meshuggah ainda extrapolam com força essa barreira. As músicas no Koloss são pesadas, carregadas, cobertas de ódio ignorante e melhor executadas do que 98% das outras bandas consegue sequer imaginar. Não é o melhor álbum da banda e nem precisa ser. Ao longo da duração do álbum você entra naquele mundo e esquece completamente de como é o seu. É a alienação glorificada, é um tratado de amor ao homem das cavernas. Se certas coisas são elefantes na sala, o Koloss é um mamute no seu cu. Talvez essa não seja a figura de linguagem que eu queria. Assim como o SOTC te captura com sua poesia e beleza, o Koloss te prende justamente no oposto disso. Caralho!

segunda-feira, 19 de março de 2012

The Field - 2007 - From Here We Go Sublime




Eu não lembro o ano, mas foi em uma cidade serrana do Rio do Janeiro. Meus pais estavam visitando a casa de alguns amigos, nenhum detalhe ficou marcado na minha cabeça. Em algum determinado ponto, eu fiquei triste com alguma coisa e andei pra tentar esquecer. Noite escura, faminta, nenhuma estrela até aonde a vista alcançava. Sentei na grama e me senti ofegante e percebi que saía fumaça da minha boca. Estava frio. Sendo do Rio de Janeiro, tropical província onde todos os dias são lamentavelmente quentes, você não conhece o frio.  A lua nunca pareceu tão solitária quanto ali, esquecida enquanto todos se aqueciam em qualquer lugar distante dela. Senti-me como um lobo perdido e ainda assim tão conectado com tudo ao meu redor.

A exploração de texturas como sinfonia feita pelo sueco Alex Willner sob o nome The Field parte do princípio de conseguirmos correlacionar com algo que não conhecemos. É a prova da existência de algum Deus, quando sabemos de merda que simplesmente não sabemos. Nenhuma igreja ou culto ou ciência capturou esse momento. É elusivo em sua natureza, ignorado ao ponto que virou uma suposição. Eu encontrei a garota dos meus sonhos naquele dia frio no píer, com meu pouco casaco e o vento em seu rosto. Ela andou até mim, com seu cachecol e câmera no pescoço, com sua timidez charmosa. Tão único momento, tão conhecido por milhões de pessoas. Toda nossa literatura é carregada com histórias como essa, mas aquele instante pintado como um quadro em seu tempo pareceu uma invenção de uma nova linguagem. Tudo já foi feito só pra ser feito de novo, começando do zero. Pinturas de caverna na nossa genética, desesperos e glórias, sucesso e fracasso, a singularidade de cada história, cada indivíduo. Daqui nós só podemos ir para o Sublime.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Pygmy Lush - 2008 - Mount Hope




A beleza de não ter preconceitos com música e baixar tudo que aparece na frente reside em não lembrar metade da sua coleção. Metade talvez seja um tanto generoso comigo. Eu preciso conhecer umas cinco vezes uma banda antes de realmente conhecê-la e mesmo assim não é garantido que eu esqueça. É uma forma de passar o tempo, tipo campo minado ou Duke Nukem 3D.

Uma dessas bandas redescobertas por mim foi o Pygmy Lush, projeto paralelo da rapazeada do pg. 99. Álbum tremendamente interessante, fazendo um folk lo-fi sutilmente violento e melódico ao mesmo tempo. Excelente produção, boas composições, num geral belo disco que tem uma tendência a passar despercebido. Linda capa, por sinal.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Phèdre - 2012 - Phèdre







Hello, my name is Michael Dudikoff and you surely remember me from my smash hits American Ninja, American Ninja II and American Ninja 587: Alzheimer Strike Back. It’s been awhile since any of you fuckers showed up in the ole cinema for my new shit, I have been doing mightily well however, I got a role in the new adult version of the Power Rangers series, entitled Power Fucking Rangers. Things are a-pimping, can’t complain about anything. But yet, when the night is quiet and the restless young heart is beating without rhythm, I force myself to some of that new stuff. I love me some disco thingy, all with those beautiful and delicious synthesizers. This new album from new band Phèdre brings the hard to my dong like no other could since before Prince wasn’t known as the artist. The melodies are always bittersweet and romantic, very remarkable. The hip hop bits don’t work out as nicely, but nothing on the world can be perfect, not even my oeuvre.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Sleep Party People - 2010 - Sleep Party People



Somos todos apegados a símbolos, é o que mantém as igrejas vivas até hoje. Eu tinha medo do Chico Cheese no Rio de Janeiro, entraria em pavor extremo na Disney com o Mickey. Sou assim, algo sobre adultos em fantasias de rato me causa um tremor inteiro gigantesco. Meio como Fanta Laranja Light, você só sabe se tomar, porra! Metaforicamente, no entanto, parece uma forma apropriada de enxergar o mundo: uma série infinda de fantasias de rato, não é o que somos? Não é o que é uma mulher dançando de biquíni na TV? Não é a mera existência do Rodrigo Faro? Ana Maria Braga? Deus, debates políticos, quem assiste debates políticos? Somos grandes demais pra isso tudo, nossa resposta é alienação absoluta no seu estágio mais extremo. Passamos nosso dia aprendendo quem corneou quem nos programas vespertinos e a noite algum idiota ainda vêm na internet gritar o quanto somos alienados. É a nova religião, os novos caminhos inescapáveis que levam ao inferno.

O que sobra, como dizia um amigo meu que fez faculdade de direito e estudou anos pra chegar nessa conclusão, é o resto. É a máscara de coelho do produtor dinamarquês responsável pelo Sleep Party People. “It’s not your fault, it’s my own fault, I’m not human at all, I’ve got no heart”, ele apela e todos nós perdemos. Se o Chico Cheese falasse isso pra mim talvez eu correlacionasse ao invés de só temer pela minha virgindade anal. No final do dia, que espaço existe pro símbolo que somos? Até onde alguém precisa ser alguém e não sua máscara? Até onde a música está ligada num culto à personalidade enfadonho? Por que ainda existem cantores de jaqueta de couro gritando decadência e rebeldia no rock and roll uns 40 anos depois disso ter perdido qualquer relevância? Estou velho. Caminhamos pelo vale da autoparódia diariamente, por que ir sem a companhia de um isolamento instantâneo? De agora em diante, meu nome artístico é Great Gonzales, quero ser interpretado pelo Steven Seagal trajando fantasia de Zorro.

terça-feira, 13 de março de 2012

The Men - 2012 - Open Your Heart




Quando eu tinha uns 12 anos comprei dois discos no mesmo dia: International Super Hits, do Green Day, e There Is Nothing Left to Lose, do Foo Fighters. O primeiro disco virou audição obrigatória naqueles dias selvagens de picardias juvenis onde eu escrevi a letra de Basket Case em torno da sauna do meu prédio. Meus dias eram divididos entre jogar Mario, ouvir esse disco e conversar merda com o guardião da piscina do Queen Anne. Sim, os sofrimentos do artista enquanto jovem são menos sensuais do que o esperado, eu não discutia Bukowski de paletó num bar. Ainda bem por isso, há lições que somente um encanador gordinho com pinta de Ron Jeremy pode te ensinar. O disco do Foo Fighters, no entanto, não me prendia. Gostava de 2 músicas, o resto parecia versões pioradas dessas 2 se misturando em uma grande massa calórica de guitarras e vocais faux garage rock. Porra, Green Day era menos genérico do que isso, quão absurdo nós conseguimos ser ocasionalmente? Depois, comprei meu ao vivo duplo do Iron Maiden e não mais perdi tempo com essas frivolidades.

Onde estava The Men nesses dias? O seu som irresistível e adolescentesco teria feito maravilhas comigo naqueles dias. Talvez eu os associasse a Mario 64 ao invés de Beck. Talvez os botassem pra tocar em meu mini system fazendo air guitar ao invés de Guns and Roses. Talvez eu não tivesse gastado 30 reais na porra do disco do Foo Fighters, valor que com a inflação hoje em dia claramente seria 1 (HUM, de acordo com o corretor do Word) milhão em barras de ouro que valem mais do que dinheiro. Punk rock seco misturado com absurdos e dementes momentos de country fazem do Open Your Heart o melhor álbum do ano até agora. Os dois primeiros trabalhos da banda já foram excelentes, só que se perdiam um pouco na testosterona excessiva da coisa. Esse novo se controla perfeitamente, é um disco que paira no ar, segurando o saco e te dando dedo do meio, mas faz isso com um élan digno de nota. Tremendo trabalho, carry on my wayward sons.

segunda-feira, 12 de março de 2012

The Knife - 2006 - Silent Shout



Imagine por um segundo um mundo melhor. Onde eu não tenho confrontos eternos com problemas de peso. Onde eu não perco o sono num susto só pra me pegar acordar tremendo. Onde não existem blogs de moda, puta merda, onde moda não existe. Onde os dias não simplesmente passam, eles ficam. Não existiria ausência de inspiração e minhas palavras fluiriam como rios seguindo estalos de dedos em qualquer ritmo demente imaginável. As horas mais longas sempre parecem curtas demais, mas os momentos, porra, os momentos são infindáveis com seus corações acelerados, pulsando inutilmente, deixando cicatrizes sem dor. Deus abençoe o mundo das propagandas de banco, três tapas na cabeça pelo dia mais longo da vida e a conta pelo amor de Jesus Cristo, nosso salvador.

Eu demorei mais do que o necessário pra ouvir The Knife. Era uma daquelas bandas que sempre parecia boa, mas não boa o suficiente que eu perderia uma noite de sofrível cover de Strokes. E o Knife é uma banda noturna, como uma coruja ou os filmes de putaria softcore do Telecine Action. Depois de um primeiro disco razoável veio um segundo espetacular, uma arte perdida realmente. Teatral passando por cima do fato do teatro ser geralmente uma abominação. Animado, mas não realmente animador. Esquisito, mas não Mônica Mattos dando pra um anão. É também a coisa mais próxima que teremos de ópera nos nossos dias, troço assim raro. Além do mais, qualquer disco que tenha a letra “I raise my hands to heaven out of curiosity, I don’t know what to ask for, what has it got for me?” merece ser ouvido diariamente. De longe um dos melhores discos do século.

sexta-feira, 9 de março de 2012

[Hermetic Garage] Comets on Fire - Discografia



Essa série não poderia realmente acabar de nenhuma outra forma, o Comets on Fire é o que há de melhor no estilo e resume o espírito das bandas que tentei trazer ao longo desses últimos 10 posts. Um maremoto de distorção, efeitos diversos e berros saídos de todos os cantos imagináveis e isso nem começa a explicar o que faz do CoF uma força tão grande no assunto. A adição do genial Ben Chasny à banda trouxe infelizmente junto consigo um profissionalismo meio chato, mas nos melhores momentos não há ninguém que veja tão nitidamente a linha que separa "extremo" de "palhaçada" como esses rapazes. Esqueça o oriente médio, Kings of Leon fazer sucesso e não o CoF é a verdadeira maior babaquice do mundo. Mas soldier on, confrades, pois isso é música pra se ouvir todo dia.

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quinta-feira, 8 de março de 2012

[Hermetic Garage] Wooden Shjips e Moon Duo - Discografia



Deixe-me falar logo de início: não há banda mais legal do que o Wooden Shjips. Nenhuma outra banda consegue soar tão imediatamente cool quanto eles e seu som não é necessariamente pesado nem psicodélico, existe em algum lugar cinza e próprio entre isso. É som de road trip, pra olhar pra lua porque pro sol cega. Também subi a discografia do Moon Duo, projeto paralelo capitaneado pelo guitarrista Ripley Johnson, que é ainda mais sutil e ainda menos terrestre.

Wooden Shjips 1
Wooden Shjips 2
Moon Duo

quarta-feira, 7 de março de 2012

[Hermetic Garage] Cult of Dom Keller - Discografia



Remota banda britânica que faz um rock psicodélico no estilo do Spacemen 3, o que é sempre uma boa influência. Fica mais no "espacial" do que no pesado, boa variação pra Judas Priest ou Fábio Jr.

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terça-feira, 6 de março de 2012

[Hermetic Garage] Hypnos 69 - Discografia



Tipo raro de rock progressivo que consegue fugir quase completamente do espírito bicho grilo. Não há filosofia maconhística, não há teatro nem encenações, não há "passagens renascentistas" e seja lá o que for essa merda. O som é exatamente o que uma banda de garagem pode fazer se todo mundo tocar pra caralho.

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segunda-feira, 5 de março de 2012

[Hermetic Garage] Kings of Frog Island - 2005 - Kings of Frog Island



Tremendo disco estranho, mistura de stoner rock com folk. As partes folk não são tão boas, mas o stoner é de excepcional qualidade. Bons riffs, excelente peso, tudo no lugar certo. Dois polegares apontando pra Deus.

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sexta-feira, 2 de março de 2012

quinta-feira, 1 de março de 2012

[Hermetic Garage] The Assemble Head in Sunburst Sound - Discografia



Oriundos da excelente cena de rock garageiro atual em São Francisco, o AHISS (nem fudendo que eu ia escrever aquele nome de novo, sinto muito) é um híbrido estranho de stoner com indie. Ainda é bastante psicodélico, mas algumas passagens beiram o acessível. Refrescante eu diria. Deve ser uma boa pra ouvir fazendo qualquer road trip, ou jogando Super Mario, o que estiver mais próximo.

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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

[Hermetic Garage] Causa Sui - Discografia



Existindo num mundo aonde o Queens of the Stone Age nunca fez sucesso e sim o Kyuss, Causa Sui é um paraíso de distorção e jams que provavelmente pareceram mais curtas dado o nível de maconha dos músicos. Ainda assim um ótimo trabalho, grita verão tanto quanto bermuda ou pizza em camiseta azul marinho. As instrumentais são melhores, o vocal tende a pender um pouco pra palhaçada. Destaque absoluto pros 3 volumes de Summer Sessions, onde as músicas se misturam um pouco formando uma grande massa de qualquer porra. Em outras notícias, está quente pra caralho.

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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

[Hermetic Garage] Monkey3 - Discografia



Dando sequência à série, temos agora os suíços do Monkey3. O som é um stoner meio post-rock, bem espacial e num geral derrete como azulejos brancos. É instrumental e talvez seja melhor por isso, pessoal suíço provavelmente mandaria um vocal meio Rammstein e aí seria foda.

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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

[Hermetic Garage] Baby Woodrose - Discografia



Dando uma pequena pausa na programação de metáforas ruins e péssimo uso de vírgulas, as próximas 2 semanas aqui serão dedicadas ao que há de melhor no psych rock atual. Grandes bandas fazem direito o que o Wolfmother faz tão mal e é uma pena que elas não sejam conhecidas. Como eu odeio o rock brasileiro talvez essa seja a minha forma de prestigiar uma cena com a qual me identifico e não tem ainda a exposição necessária. Quão nobre eu sou!

A primeira da lista vem da dinamarca e quase que eu confundi de novo com noruega, qual que queima igreja mesmo? O som do Baby Woodrose é deliciosamente simples, composto por riffs simples, tudo muito acelerado, refrãos pegajosos e num geral aquele sentimento de foda-se tudo. Como sou uma mãe e a discografia inteira está aí, é interessante destacar a evolução relativa pela qual a banda passou. A fórmula permaneceu a mesma com melhoras notáveis na produção. Destaque absoluto para aquele vídeo Tron Jeremy, aquilo foi fantástico.

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Roy Montgomery - 1996 - Temple IV




A guitarra cresceu de instrumento musical para algo mais como instrumento de dominação sexual. Nós amamos ver algum cabeludo jogando sua guitarra contra uma instransponível muralha de amplificadores, está no nosso código genético. É esteticamente agradável, muito embora por motivos inexplicáveis. Quando você para pra pensar, quebrar uma guitarra é a coisa mais idiota do mundo. Quando você não para pra pensar, e francamente essa é a melhor opção sempre, arremessar uma guitarra longe é sinônimo de libertação. Na eterna metáfora que é o rock and roll, nada grita mais rebeldia do que o guitar hero, aquele que passeia mais pelo circense do que outra coisa, completo com toda a palhaçada que tem direito.

Existindo numa esfera completamente diferente, alguns artistas conseguem o impensável de uma forma bem menos histérica. Honestamente, há espaço pra tudo. Em cada tempestade vive uma calmaria colorida com cores diferente, Deus abençoe a palheta de cores tão diversa que há para tudo. E para guitarra, não é realmente diferente. Você tem caras que tocam pelas costas, e pelo outro lado temos o inglês Roy Montgomery, que é um verdadeiro estudioso do instrumento. Soando como uma versão elétrica do John Fahey, Montgomery cria peças espaçosas, destinadas àquela zona cinza de música ambiente que necessita de atenção. É uma audição delicada, mas uma amplamente recompensadora.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Julio Iglesias - 2011 - Number 1 Vol 1



Dedicado a todos os corações apaixonados, com ternura. Não há nada melhor do que um mexicano oleoso pra aquecer a turbina do desejo. Destaque absoluto pro sotaque belo que permeia cada canção, verdadeira obra de arte.

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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Black Heart Procession - 1999 - 2



Eu não gostava do meu nome quando mais jovem, lembro que ficava frustrado pela ausência de algum apelido que encurtasse. Qual opção que há para Marcelo, Marça? Nomes são coisas curiosas, em objetos inanimados são reflexos relativamente coerentes do objeto em questão. Porra, um peido merece ser chamado de “peido”. Há poucos exercícios linguísticos mais recorrentes do que criar novos nomes pro pinto, simplesmente amamos essa porra. Nossos pais nos lembram constantemente de nossa primeira palavra, como um estigma a ser carregado por toda a vida. A minha foi “amor”, mas não necessariamente de uma forma romântica: era como meu pai pedia pra minha mãe buscar qualquer coisa. Há dois lados para cada palavra, pra cada nome. Só não há apelidos pro meu, mas eventualmente eu cresci e comecei a me referir a mim mesmo como “Great Gonzales” (mais pessoas deveriam entender essa referência).

Manterei curto: nomes de banda são uma arte, tão importante quanto a arte em si. Hoje em dia, eu comecei a apreciar mais Marcelo. Mas, porra, não é nenhum Black Heart Procession. Fantástico álbum pra um fantástico nome. “Blue Tears” em especial é das coisas mais bonitas e bregas da vida.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

The Astronauts - 1963 - Surfin' With The Astronauts



Eu costumava a surfar. Não, troço muito sério, surfava mesmo, era garoto de praia! Meu cabelo não era parafinado, mas meu escritório era definitivamente na praia e eu tava sempre na área. Minha parte favorita era largar a prancha, mergulhar o mais fundo que aquela porra de cordinha permitia, e então olhar pra cima. Ver os raios de luz achando seu caminho pela água é uma experiência bastante bonita. Surfar, no entanto, não é. Água viva também é um treco filho da puta. Não há tantas vantagens, num geral é mais legal pela TV. A rotina da praia também é cansativa, acho que há uma determinada quantidade de sanduíche natural plástico que alguém consegue comer sem morrer cagando, há um limite pro quanto de “PODE CRÊ” é tolerável até você alcançar um revolver. Sim, estou velho! Eu andava de skate também, o que explica eu ser meio imbecil até hoje.

Partilho do princípio que toda banda chamada The Astronauts devia lançar um disco chamado Surfin With The Astronauts, o mundo é assim sensacional. Surf music era um gênero viável, antes do Jack Johnson populizar e ser a única coisa que presta de um novo, sem qualquer relação com o antigo. Eu sempre ouço o disco que está sendo comentado enquanto escrevo o texto, e a utilização de vírgulas está especialmente delicada nesse caso. Há algo nessas guitarrinhas safadas que me faz querer desligar o cérebro, pegar uma cerveja, e assistir Waking Life! Okay, pro último eu precisaria remover meu cérebro, mas ainda assim, há algo de muito imbecilizante nesses arranjos bizarros, dos quais não posso não me perguntar qual é a relação com praia. Creio que é um daqueles tantos mistérios. Baixe porque, porra, quantos astronautas surfistas você conhece?

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

How To Dress Well - 2010 - Love Remains



Desde pequenos fomos programados por filmes de espionagem a temer, nunca realmente tivemos qualquer chance. Paranóia faz parte do nosso cotidiano, não somos ninguém sem nosso medo da própria sombra. Em algum ponto, há o impensável esperando pacientemente pela hora de atacar. Ele nos observa traçando planos, passando pelo medo e pela esperança com os mesmos. Ele nos vê cautelosamente confiando, só pra sussurrar palavras indizíveis no nosso ouvido, daquelas que aceleram o coração por nenhum outro motivo. Vivemos às sombras do imortal “e se?”, somos todos seus filhos. Há algo de sombrio escondido por trás de toda árvore na noite, seja hoje ou ontem. Nunca se mostra, só nos lembra da possibilidade de estar lá. Paranóia.

Eu prefiro acreditar que o Tom Krell, único membro do How to Dress Well, nunca saiu de casa. O som do Love Remains é o medo das desilusões possíveis, é o espião no canto do quarto, o tubarão perdido na piscina. É o ponto aonde a racionalidade desiste e PUTA QUE PARIU QUE PORRA DE LUZ FOI AQUELA QUE PASSOU PELA MINHA JANELA? Embora tenha sido descrito como bedroom R&B, não creio que faça justiça. E que merda é um bedroom R&B além do mais? Adiciona uma camiseta xadrez, óculos sem problema de visão, um croquete e você tem mais um plágio chamegador de mastro da Pitchfork. É impossível de comparar com o The Weeknd. O Weeknd se amarra lindamente ao hedonismo caricato mais adorável do mundo, o HTDW é só o medo de olhar na esquina. Os movimentos são lentos, borrados de distorção, fantasmagóricos em sua própria essência. É o medo de tudo.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Thanksgiving - 2004 - Welcome Nowhere




Músicos deviam aprender o verdadeiro escopo de suas composições. Não há expansividade sem uma boa justificativa, sem um conceito por trás. Você tem que trabalhar em algo, não esperar que venha naturalmente. Mas fique tranqüilo, não é um trabalho de verdade, mais como uma batalha. O que vence trabalho de verdade todos os dias da semana e duas vezes no domingo. Com inspiração, você tem uma batalha por um canal: Você descobre uma palavra nova, mas aonde colocá-la? Você cria uma música, mas como a veste? Teoricamente, você procura algo que a diferencie, aí que vêm a expansividade. O problema é a megalomania que a acompanha.

Alguns artistas conseguem fugir disso, caso do nosso querido Adrian Orange, A.K.A Thanksgiving. Welcome Nowhere faz totalmente justiça ao nome, é um registro lo-fi do que deve ser uma cidade fantasma. Mais do que qualquer outro disco lançado desde que Nebraska mostrou o gênero como possibilidade, o álbum do Thanksgiving aproveita a ausência causada pelo silêncio. A voz de Adrian funciona como uma vela, seu violão é a sombra, e nada mais habita aqui. Produzido pelo Phil Elvrum, o disco partilha algumas sensibilidades com o Microphones, mas é um animal completamente diferente. Aonde o Microphones é um inferno em sua tristeza, eterna e torturante, o Thanksgiving é só a morte. Expansivo no seu vazio, é uma das obras mais únicas já lançadas.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Earthless - 2008 - Live at Roadburn




Uma forma admirável de proceder na arte num geral é o extremo. O extremo é a coisa mais difícil de ser atingida, há uma linha tênue realmente minúscula que separa “extremo” de “extremamente idiota”. Por vezes fica óbvio, por outras é mais na sutileza. Se você tentar despertar algum tipo de emoção muito forte, boas chances são aquelas de descambar pela breguice (RIP Wando). Se sua prosa for demasiadamente rebuscada, grandes possibilidades de cair na autoparódia, versão ruim. Acho que deveria existir uma regra, e o fator determinante devia ser o rabo de cavalo do Steven Seagal. Passou daquilo é over, desnecessário e babaca. Menos que aquilo é perda de tempo. A vida não significa merda nenhuma sem um rabo de cavalo esculhambado num cabelo seboso ditando quem deveríamos ser.

Para toda a sutileza existente na arte do extremo, há casos que simplesmente fogem do racional. O Live at Leeds to The Who é um belo exemplo de som primal gravado numa época pouco usual, é até hoje amplamente considerado um dos melhores discos ao vivo de rock. Mas o que fazer com o Live at Roadburn, desses tão amáveis sem terra californianos? Como você processa esse som, ainda mais analisa? O que de crítica você pode fazer? Vai muito além de qualquer limite de extremo, volta, te chuta na testa e te faz esquecer tanto existencialismo. O porquê de tudo não consegue fazer sombra pro MEU DEUS QUE PORRA É ESSA QUE ESSE CARA TÁ FAZENDO COM A GUITARRA? Extremo na música é o mais inapelável que o subjetivismo aguenta. Há um desespero consolador em saber que você nunca fará algo tão bem quanto o Isaiah Mitchell toca guitarra. Dois rabos de cavalo do Steven Seagal firmemente em riste!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Lambchop - 1996 - How I Quit Smoking




Nada é maior que seu símbolo, tudo é uma metáfora esperando ser percebida. A facilidade de juntar palavras com conceitos assola toda a família humana, todos estamos bêbados na nossa própria genialidade. O século XXI produziu aparentemente uma nova profissão, o agitador cultural, versão craque Neto para a – não! Não vou falar geração Y. Sedentos por informação, nos deparamos com postagens imensas no Facebook, aonde parece ser impossível não soar condescendente. Acho que existe algo no óbvio que o torna ainda mais óbvio, é parecido com a minha patenteada ideia de criar água em pó, que faria a água ficar mais aguosa. Sinto-me velho, ultrapassado, não consigo correlacionar com porra nenhuma disso. Talvez meu cérebro tenha derretido porque eu assisti DUAS temporadas de Digimon, talvez eu não consigo ver sentido porque o problema está em mim, ou talvez eu tenha entendido antes quão difícil é montar uma metáfora por todo um parágrafo. Deus! Como disse no começo, nada é maior do que seu símbolo; nenhum agitador cultural é maior do que seu histrionismo.

Numa época onde tudo fica registrado, não apreciamos como deveríamos o mero fato de certas coisas terem sido registradas. Thomas Pynchon poderia ter dado uma cagada monstra ao invés de escrever Gravity’s Rainbow, Shigeru Miyamoto poderia ter distendido o bago esquerdo ao invés de criar Mario e salvar minha vida, eu poderia ter ficado em casa aquele dia ao invés de conhecer meu amor em Ilhota, Kurt Wagner poderia ter parado de fumar sem registrar a luta. Eu entendo que deixar de fumar é uma metáfora, sim, o primeiro parágrafo faz sentido, ele tende a fazer. Parar de fumar é bater um vício, um que faz nos matar teoricamente mais rápido do que a vida em si. Fica claro que o vício principal cantado pelo Lambchop é algum descontentamento, algo como uma agonia generalizada. E com isso, meus amigos, eu consigo correlacionar por vezes, e por outras acho só inspirador mesmo. Musicalmente, me lembra algo como um Eels misturado com Silver Jews, ou seja, dois polegares apontando sem escala pros portões do paraíso, Hosana nas alturas!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Cliff Martinez - 2011 - Drive




Os anos 80 são grosseiramente subestimados. Em algum ponto, vocês pessoas esqueceram o sentido por trás de um sintetizador merda, dos ternos roxos Miami Vice, das baterias eletrônicas que soam como peidos. O idiota do Dave Grohl está errado, é sim como soa no computador o que conta, não o je ne sais quoi de aprender a tocar violão que todo cabeludo ama citar. Eu confio mais na máquina do que no operador, gosto de imaginar que os sintetizadores tocam sozinhos. Estranhamente o suficiente, há mais alma em não ter alma do que o contrário. Todos os sintetizadores medas, os ternos roxos Miami Vice, as baterias eletrônicas que soam como peidos, cada uma dessas porras passa uma desolação misturada com esperança absolutamente única. É a humanidade buscando a perfeição, falhando, e se contentando em não se importar, conscientemente ou não. Lindo.

Drive é um dos melhores filmes em muito tempo por abusar da estética oitentista. Está lá. Na jaqueta de escorpião que o protagonista usa o filme todo, na lentidão de cada diálogo, no brilho decadente dos vilões, na esperança impossível do magrão que faz Breaking Bad em se dar bem com algo notório. O filme grita anos 80, mas não abra suas asas, libere suas feras. E sim o lado negro, que amplamente passa ignorado. Aquilo que faz do New Order um som tão desesperador quanto o Joy Division. A trilha sonora, em parte feita pelo Cliff Martinez, em outra parte por bandas atuais que replicam brilhantemente o som da década tão amada, passa isso perfeitamente, até na ordem das músicas. As primeiras 5 músicas são as das bandas, uma melhor que a outra. Tudo soa exagerado e fora de proporção, menos os vocais, numa declaração romântica para a máquina. Somos menores que ela, afinal. Depois vem a trilha do Cliff Martinez, 14 músicas ambientes feitas em sintetizadores também. Soa uma versão menos palhaçada do trabalho dos anos 80 do Tangerine Dream. O mais brilhante é como tudo parece uma versão musical do deserto morto de Mad Max, só que com luzes de neon por tudo. Repetindo o final do primeiro parágrafo, lindo.

Salem - 2010 - King Night




Sabe de uma coisa, há algo sobre a dimensão do universo que não encaixa na minha cabeça. Eu sempre tento ler artigos de física no Wikipédia, a beleza de ser leigo é poder não entender nada, é até esperado de você. Ainda assim, eu não consigo não ficar um pouco desapontado. Eu sempre achei que eu seria daquelas pessoas com capacidade sobrenatural de aprender qualquer porra muito rápido: aprender a falar japonês só de ver Power Rangers, aprender a cantar só de ouvir algum K7 do Wando (RIP meu anjo), aprender a VIVER com Walker Texas Ranger. Acho que não sou uma dessas pessoas. Nunca vou saber que merda é um buraco de minhoca, nem qual sua relevância na minha vida.

Todos os mistérios na vida, sendo a vida em si o mais intransponível, claramente estão acima de qualquer racionalidade. Isso não é sobre nós não usarmos todo o nosso cérebro, é sobre ele ser só um cérebro. Deus deve ter um som estranho, errado, torto, certamente sem qualquer relação com os cantos angelicais clichês que nós criamos. Os idiotas do Salem, que tem um EP intitulado de “Yes, I Smoke Crack”, nome que choca pelo mesmo motivo que o faz autoparódia, conseguiram algo da linha na faixa título do King Night. É uma discoteca arrastada, desconfigurada, sendo bonito e medonho ao mesmo tempo. Equivale, de algum modo, a encontrar erro gramatical na bíblia. Cria um clima como nenhuma outra, e o resto do disco consegue por momentos repetir esse súbito delírio. Como eles fizeram é um mistério, talvez um dia esteja no Wikipédia, aonde eu ainda não vou manjar.

Queria um buraco de minhoca prático, direto pro meu amor.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Oblivians - 1997 - Play 9 Songs With Mr. Quintron



Estou cansado. A facilidade que as palavras encontravam em sair da minha boca desapareceu, agora é difícil extrair cada vírgula. Cada letra é uma batalha eterna, mas ainda assim minha cabeça é incapaz de calar a boca. Períodos negros, meus amores, épocas complicadas. Algumas vezes é foda de manter a perspectiva, todos já estivemos lá, eu estou sendo ainda mais clichê. Há beleza na tristeza, mas nem em toda. Há tristeza idiota, mongol, feia, das tragédias que nunca viraram história justamente por não serem interessantes o suficiente. Estamos todos caminhando pra lá numa velocidade impressionante, ser irrelevante é uma possibilidade distinta, amedrontadora. Confronto-me com a minha imensa vontade de mijar, e pergunto: eu já tive algum talento? Eu gosto de escrever, não gosto do que escrevo, mas gosto da sensação de escrever. A maravilha do mundo moderno é a facilidade com que qualquer Zé cria um blog e desfila esse tipo de pensamento merda, a internet é um brado de todas as vítimas da irrelevância, como eu. Ei, ninguém pode me culpar, é sexta-feira e eu estou em casa.

Mas alguns filhos da puta conseguem fazer todo esse pensamento ser apagado. Por um instante, foda-se tudo que me incomoda. Foda-se tudo que eu não gosto em mim mesmo. Foda-se tudo que não gosto em basicamente todo mundo. Foda-se o futuro, a ausência dele, o passado, a presença dele. Foda-se as noites mal dormidas. O disco em tela saiu em 1997, mesmo ano de OK Computer, Homogenic, The Colour and the Shape e Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space. Todos esses são discos realmente ambiciosos e, tirando Foo Fighters que é uma aberração, todos sucederam relativamente nessa expansividade. O álbum dos nossos queridos Greg e Jack Oblivian (ei, se aprendi algo com o White Stripes, é que esses dois deviam se comer) não partilha disso. Aonde é tão fácil confundir “simples” com “simplório”, esses putos decidiram não arriscar. É guitarra ignorante, martelada, bateria primitiva, baixo feioso, e gritos atrás de gritos. O teclado do Quintron trás tudo pra Terra de volta, mas só depois dos 27 de duração do disco. O que tem durante é lindo, primitivo, irracional. Boa música é aquela que consegue carregar consigo o foda-se pra tudo isso. É aquela, também, que não pode ser realmente analisada. Destrói seus problemas, mas não de um jeito cuja essência possa ser capturada em palavras. Se você estiver fora, não vai conseguir entender. Se estiver dentro, não vai conseguir explicar. Deus abençoe.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Crippled Black Phoenix - 2010 - I, Vigilante


Estou morando na Bahia agora, logo já noto as diferenças. Fui pedir informações pra um magrão sentado na beira da praia, ele levantou e pareceu feliz de me indicar aonde havia um mercado. A população é feia, mas, ei, encontrei Meridiano de Sangue na livraria Cultura. O calor faz os dias passarem como borrões de café. Ainda estou me acostumando, perdoem minha ausência de literatura.

Nome de banda de metal, capa mais ainda, nome de disco soando meio Mars Volta ou Sound of Animals Fighting. Graças a Deus não é nada disso, embora eu aprecie um metal, mas Mars Volta é coisa de quem quer dar a bunda pro vizinho mas não sabe como pedir. O que rola aqui é um post-rock meio rock progressivo, tipo um Pink Floyd atualizadão, o que é meio o clichê quando se analisa essa banda. Outro clichê é chamar de super grupo, tendo gente do Mogwai e do Electric Wizard. Gosto de pensar nisso como o que o Porcupine Tree seria se o Wilson fosse menos brega. O talento é palpável, tudo aqui soa deliciosamente. Dois polegares firmemente enrijecidos.

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Acid Louise - 2012 - I like to keep you quiet



É hora de dar destaque para quem talento: Depois de Whores of Babilonia (2010), as Acid Louise lançam o EP semi-acústico I Like To Keep You Quiet (2012), dando bastante destaque ao vocal de Natália Trentini. É interessante ouvir os elementos pop-punk/post-punk gravados em semi-acústico. A banda vem de um bom tempo sem baterista, posto que em breve será ocupado por Maria Luíza que somará mais um par de pernas às três já ilustradas na capa do EP, por Barbara Bublitz. A mesa de controle estava nas mãos do experiente Allan Kanzler, ex-serotonina.
Vale a pena conferir o trabalho deles, o EP já somou muitas execuções ao meu média player.

Playlist: 
Breath
Built it up, burn it down
In his arms
More than we can do
Stuck in this love

Site da banda
MySpace
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Download gratuito do EP

Whip it - 2009 - soundtrack


Melhor soundtrack até hoje.

Playlist:

Tilly and the Wall - "Pot Kettle Black"
Ramones - "Sheena Is a Punk Rocker"
Cut Chemist feat. Hymnal - "What's the Altitude"
The Breeders - "Bang On"
The Raveonettes - "Dead Sound"
Clap Your Hands Say Yeah - "Blue Turning Grey"
Jens Lekman - "Your Arms Around Me"
Gotye - "Learnalilgivinanlovin"
Peaches - "Boys Wanna Be Her"
Dolly Parton - "Jolene"
38 Special - "Caught Up in You"
Har Mar Superstar feat. Adam Green - "Never My Love"
Goose - "Black Gloves"
The Ettes - "Crown of Age"
Landon Pigg feat. Turbo Fruits - "High Times"
Little Joy - "Unattainable"
The Chordettes - "Lollipop (Squeak E. Clean & Desert Eagles remix)"
The Go! Team - "The Power Is On"
Apollo Sunshine - "Breeze"
Turbo Fruits - "Fun Dream Love Dream" (on Amazon MP3 version)
Young MC - "Know How" (on iTunes version)
The Section Quartet - "The Road to Austin" (on iTunes version)

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

um breve pedido de desculpa

Meus dois leitores, encarecidamente peço perdão pela redução nas minhas postagens. Estou passando por uma mudança, e como toda mudança há um período conturbado. Espero a compreensão de vocês todos, meus leitores imaginários.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Brian Eno - 1978 - Ambient 1: Music for Airports


Gentil, elegante e etéreo. Não foi o primeiro disco de música ambiente, mas foi aonde tudo fez sentido, e um belíssimo gênero veio ao mundo. Oh, glória! Amanhã viajarei de avião, rezem por mim ou esse blog vai ser mal assombradão.

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Týr - 2009 - By the Light of the Northern Star


Só pra mostrar que nem só de alternatividade vive o homem, mas também do bom e velho folk progressive viking pagan motherfucker metal que nos dá vontade de arrotar hidromel e comer um pernil inteiro com as mãos.
Mais um álbum da série 'who cares about your cultness'

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sábado, 28 de janeiro de 2012

Karen Elson - 2010 - The ghost who walks


Voltado às raízes da música americana, o álbum da supermodelo e ex de Jack White é um deleite de tarde fria.

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

sobre a coisa mais idiota já escrita

Eu nunca tinha ouvido falar de Marcelo Moreira, preferia morrer sem tê-lo feito. Mas certas coisas são escritas como iscas irresistíveis, e aqui estamos nós. Um post no blog do Estadão contém esse título:

Música eletrônica é barulho, não é música

Vamos lá comigo?

Música eletrônica não passa de barulho, e DJ pode ser tudo, menos músico.

Nosso querido já começa bem: repetindo o título imbecil, gramática questionável e algo que vai ser repetido ad nauseam pelo texto todo. Estou levemente excitado já de início!

Aparentemente não há muito o que discutir sobre as duas máximas, mas há gente que insiste em brigar com os fatos, em espancar e torcer a realidade.

Fatos? Que fatos? Que música eletrônica não passa de barulho? Aphex Twin, Boards of Canada, Venetian Snares, The Field, Nicolas Jaar... Tudo barulho? Em algum ponto ele tem alguma razão, música é barulho essencialmente, mas, vamos e venhamos, estamos em 2012 e um jornalista musical não conhece nada disso. Acho que o apocalípse envolve ignorância sendo tomada como ciência.

Os recursos eletrônicos sempre foram levados em consideração a partir do momento em que se inventou o abominável sintetizador, no finalzinho dos anos 60, trambolho barulhento que encantou gente decente como George Harrison (Beatles) e Pete Townshend (The Who).

Uma rápida pesquisa no Google aponta que não, o sintetizador não foi inventado no "finalzinho dos anos 60". "Trambolho barulhento" não devia me surpreender, não tem a menor chance do Marcelão conhecer M83, Pet Shop Boys, Ladytron, Brian Eno. Note que não estou citando coisa ultra-desconhecida, isso é o básico que todo mundo que escreve sobre música devia ouvir. Mas, porra, Pet Shop Boys é gayzão.

Quando usado de forma inteligente e criativa, sem abuso, o sintetizador foi bastante útil, como nas trilhas sonoras compostas por Harrison e nas obras-primas do Who “Who’s Next” e “Quadrophenia”.

Acho curioso a utilização da palavra "inteligente" nesse texto, é meio como gato latindo. E a carreira solo do George Harrison é uma abominação.

Infelizmente, por outro lado, foi responsável por algumas das maiores porcarias já feitas dentro do rock.

Tipo a carreira solo do George Harrison?

Por que essa discussão surgiu?

Porque você é um imbecil.

Por dois fatos isolados. Um deles foi uma antiga entrevista de Edgard Scandurra, guitarrista do Ira!, uma extinta revista de música pop a respeito do Benzina, seu projeto paralelo dos anos 90 com forte influência da música eletrônica.

Eu gosto do Scandurra, mas comparar negativamente qualquer coisa com Ira! é bastante mongol.

Um amigo músico, ex-roqueiro e maluco por novas tecnologias, mas com gosto musical turvado pelas próprias porcarias eletrônicas que anda ouvindo, fez referência em uma festa ao fato de Scandurra ter feito elogios às possibilidades criativas a respeito da música cibernética e artificial, feita por máquinas.

Pronto! Finalmente ele falou o que todos estamos pensando, música eletrônica é artifical, feita por máquinas! Você já viu Tron? As máquinas são seres pensantes totalmente não dominadas por humanos, criadas com nenhum outro propósito além de destruir o meu rock and roll! Esse argumento, arJumento na verdade, é uma falácia tão idiotesca que pode ser desmontada no simples fato de tudo usado pra fazer música ser uma porra de uma máquina. A menos que você seja o Paul Stanley, aí sua guitarra é seu pau.

Para azar de meu amigo, ficou sozinho na defesa da “música eletrônica” na roda de amigos na área do churrasco. Foi massacrado por gente inteligente e que tem discernimento e que não se contenta com barulhos artificiais de computadores e sintetizadores.

Eu vejo o diálogo:

Amigo do Marcelo: Cara, música eletrônica não é só aquilo que você vê em vídeo de balada, há muito mais do...
Marcelo: Tem guitarras? Tem baixo? Tem bateria?
A. M.: Bom, não, mas é meio que o ponto, música é música, pode ser feita de qualquer maneira que...
Cabeludo: Sério, aquilo não é música, e quem passa anos estudando?
A.M.: A maioria dos produtores estudaram bastante tempo música!
M: Tem guitarras? Tem baixo? Tem bateria?
A.M.: Você já perguntou isso.
Cabeludo 2: Mas e escalas? Dj sabe o que é escala?
A.M.: Nem todo mundo que faz música eletrônica é DJ!
M: Tem guitarras? Tem baixo? Tem bateria?
A.M: Desisto.
Marcelo e os cabeludos: A INTELIGÊNCIA SEMPRE VENCE! [botam "Born to be Wild" pra tocar, coçam o cu e cheiram o dedo]

Quão fantástico teria sido se ele tivesse escrito "Dissernimento"?


O outro fato que suscitou esse texto foi uma acidental passagem por um fórum roqueiro de discussões na internet, vinculado a uma revista, em que alguém foi igualmente massacrado por elogiar o trabalho da dupla de DJs MixHell, formada por Iggor Cavalera, ex-baterista do Sepultura e atualmente no Cavalera Conspiracy, e sua esposa, a artista plástica Laima Layton.

Óbvio que um troço chamado MIXHELL vai ser uma merda, seu porra retardado. Um fórum roqueiro periga ser o lugar mais bosta do mundo.

Assim como qualquer outra trilha de danceteria, o trabalho do MixHell é forrado de barulhinhos eletrônicos irritantes, tem o som artificial de baixo estrondoso e ensurdecedor e sua “trilha melódica” é repetitiva e anódina, como convém às pista de dança. Ou seja, pode ser tudo, menos música.

Defina música. E não lhe ocorreu que, porra, o Cavalera não faz algo decente desde... Bem, sempre. Enfim, não ocorreu que ele possa ser ruim em música eletrônica sem que o resto do mundo o seja? Dez reais dizem que você teve que procurar "anódina" no Google.

Respeito demais o trabalho instrumental de Cavalera. Com certeza ainda é um dos mais importantes bateristas de heavy metal, criou um estilo rico e técnico, com peso e velocidade que viraram referência no estilo. A migração para o barulho eletrônico chocou os puristas.

Talvez porque, porra, não faz nenhum sentido ele se meter a fazer algo que não saiba?

Se a música eletrônica “amplia os horizontes criativos e as possibilidades musicais”, como acredita Edgard Scandurra, então não é o caso do próprio Benzina e muito menos do MixHell, cujos trabalhos, vamos dizer assim, estão bem abaixo das qualidades musicais que o guitarrista do Ira! e Cavalera sempre apresentaram em suas carreiras.

Aqui você me perdeu, caro Marcelo. Você está definindo TODA UMA FORMA DE ENCARAR A MÚSICA, nem um estilo, negativamente porque os trabalhos do Scandurra e do Cavalera não são bons na área? Que tipo de lógica é essa? Você procurou conhecer Autechre, Trentemøller, Gas, Four Tet, μ-Ziq.


Boa parte dos músicos consagrados e mesmo os de apoio costumam ser diplomáticos ao falar do uso de elementos eletrônicos em seus trabalhos, mas simplesmente ignoram o que conhecemos por música eletrônica, aquele barulho artificial e insuportável das pistas de dança.

MÚSICA ELETRÔNICA NÃO É SÓ ISSO. Porra, qualquer Zé estereotipar assim, foda-se. Mas um jornalista musical? Isso devia dar cadeia.

Alguns aceitam que produtores criem arranjos com base em barulhos de computador, outros até brincam com os mesmos barulhinhos que os DJs e os incluem de forma discreta em seus trabalhos. Mas são poucos os artistas sérios que realmente fazem uso desses recursos de forma explícita e escancarada.

Começo a suspeitar que você bebeu água de parto em excesso. Quem faz música eletrônica É produtor, e não necessariamente DJ. Produtores que aprenderam a mexer no estúdio, revirar cada instrumento por um timbre diferente, entendem de volume, dinâmica, etc. E entendem de música muito mais do que você ou o Iggor Cavalera.

Dois gigantes do rock cometeram trabalhos péssimos nos últimos 20 anos, seduzidos pela suposta “modernidade”. Eric Clapton escorregou feio com “Pilgrim”, de 1998, CD no qual suas guitarras foram soterradas por arranjos eletrônicos e barulhos artificiais.

Eric Clapton não lança algo de bom desde os tempos da Dercy usando biquini. Não tem nenhuma relação com música eletrônica.

Jeff Beck, outro gênio da guitarra, caiu na armadilha e gravou os insuportáveis “Jeff”, de 2001, e “You Had It Coming”, de 2003, sendo que já flertava com o estilo em 1999 no álbum “Who Else!” Beck gostou do resultado de sua ousadia, mas os fãs não. O jeito foi voltar ao rock, ao blues e ao jazz para gravar “Emotion & Commotion” neste ano.

Jeff é um belíssimo disco pra um artista da idade do Jeff Beck. O Emotion & Commotion é uma merda e não acrescenta nada a porra nenhuma.

É possível ficar dias e dias colhendo exemplos para torpedear o barulho eletrônico.

Acredite em mim, eu posso citar muito mais exemplos de música eletrônica boa do que você o contrário. Porque eu me informo antes de falar disso.

Quem gosta deste tipo de música se contenta com muito pouco.

Quem se contenta com muito pouco é a mulher que dá pra você, e eu esperei todo esse texto de merda pra fazer essa piada.

Isso não é música, e DJ não é músico, é um tocador de CD. No máximo, animador de festa. DJs que acham que são artistas não podem ser levados a sério. São o que são, o que já é demais.

Muitos produtores musicais estão na vanguarda da música, o que então é um "músico"? O que é um "artista"? A merda do Jet, que recicla todos os clichês do rock? O Metallica, que não lança nada que preste faz mais de 20 anos? Isso é um arista original, enquanto produtores, que constantemente pensam além do que podia ser feito, não são? Pra cada Jesus and Mary Chain existe 50 Foo Fighters, e pra cada Foo Fighters existem 50 bandas cover disso. O rock é assim original. Já alguém que busca fazer algo completamente novo, usando da tecnologia criada por seres humanos e não por robôs, é chamado de animador de festa?

Você, Marcelo Moreira, é um idiota completo.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Paradise Lost - 1995 - Draconian Times


Deus abençoe todos os cabeludos, pessoas de camiseta do Iron Maiden, tatuagem tribal, cara de malvado, cabelo raspadinho estilo Ronaldinho, Phil Anselmo procurando "homem" no google imagens sem filtro, guitarras distorcidonas, piada envolvendo pênis, e etc!

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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Shearwater - 2004 - Winged Life


Um som exuberante cheio de surpresas gentis. Winged Life faz de Shearwater mais que um projeto paralelo de Okkervil River. O trabalho duro do Shearwater faz deles um grupo sólido com seus próprios caminhos.

The Warlocks - 2007 - Heavy Deavy Skull Lover


Eu não sei se é crise de identidade, problema com imagem ou genialidade, mas The Warlocks têm uma cara diferente a cada álbum. Eles são bons, mas o Heavy Deavy Skull Lover é um dos álbuns que eu mais ouvi. Ele tem um som que parece meio frágil e pesado ao mesmo tempo. Ótimo para afogar-se em um lago de melancolia obscura.

Silver Jews - 1998 - American Water




Uma das coisas lindas na música é o culto a personalidade, aonde nossas preferências são tão subjetivas quanto a música em si. A tendência natural é agrupar, por isso há mais estilos do que propriamente individualidade. Não estou reclamando, isso não é um choro por mais música autoral, só que a personalidade dos músicos acaba se encaixando em gênero quase tanto quanto suas obras. A ampla maioria de nós é profundamente desinteressante, mas a humanidade em comum é das coisas mais inspiradoras. Sempre há, também, os idiotas que não chamam a atenção por nada além de uma espécie de prepotência com que tratam sua música. Você pode tentar soar arrogante, Deus, você pode até ser arrogante, mas achar que você é melhor do que os outros que fazem a mesma coisa? Não sendo melhor, você gera antipatia generalizada. Mas sendo? Você provoca uma inominável mistura de ódio com admiração.

David Berman começa o American Water cantando “In 1984 I was hospitalized for approaching perfection” da forma mais natural possível, com uma guitarra limpa repetindo os acordes mais simples do mundo. Ele nunca acelera, sua voz soa preguiçosa na música inteira, a bateria é leve, as guitarras são discretas, o baixo só acompanha. É como se ele não estivesse nem tentando. No final dos 4 minutos, “Random Rules” é uma das melhores músicas já escritas. Soa óbvia o tempo todo, mas as melhores coisas soam justamente assim. Está na nossa cara, quase como um deboche por não termos pensado antes. Seu sarcasmo é perceptível em cada sílaba recitada, raramente cantada, durante o disco. Nada parece ter qualquer esforço. Berman deixa a melodia mais bonita, “The Wild Kindness”, pro final, como conclusão de um universo inteiro dentro de pouco menos de 50 minutos, uma lembrança do porquê chegamos ali. Infelizmente, eu nunca o conheci e provavelmente nunca irei, então não sei se ele é assim cuzão. Prefiro acreditar que sim. Você pode tentar odiá-lo, mas, no final do dia, ele faz isso melhor do que você faria.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Yellow Swans - 2006 - Psychic Secession


Meu cachorro, o Juca, está de óculos escuro imitando o Stevie Wonder. Eu disse que ele é branco demais e que não tem a credibilidade nas ruas. Metade da minha conversa com o pacote de bolacha maisena não fez sentido, foi quase como se estivéssemos falando línguas diferentes. Movimentos de ocupação são vazios, disse o meu irmão pro seu dedão do pé, bem aquele que deu câncer no Bob Marley. Metade de 25% da população acha que 67% da população negra é 46% composta por brancos que tomaram 80% de sol, mas não há muito o que fazer. Teorização jornalística só provoca overdose de hipoglós, e ainda assim seu cu não vai voltar, mesmo que você não tenha feito jornalismo.

Assalto ritualístico enterrado abaixo de quilos e quilos de distorção e white noise. Uma das coisas mais bonitas já gravadas.

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