Uma forma admirável de proceder na arte num geral é o extremo. O extremo é a coisa mais difícil de ser atingida, há uma linha tênue realmente minúscula que separa “extremo” de “extremamente idiota”. Por vezes fica óbvio, por outras é mais na sutileza. Se você tentar despertar algum tipo de emoção muito forte, boas chances são aquelas de descambar pela breguice (RIP Wando). Se sua prosa for demasiadamente rebuscada, grandes possibilidades de cair na autoparódia, versão ruim. Acho que deveria existir uma regra, e o fator determinante devia ser o rabo de cavalo do Steven Seagal. Passou daquilo é over, desnecessário e babaca. Menos que aquilo é perda de tempo. A vida não significa merda nenhuma sem um rabo de cavalo esculhambado num cabelo seboso ditando quem deveríamos ser.
Para toda a sutileza existente na arte do extremo, há casos que simplesmente fogem do racional. O Live at Leeds to The Who é um belo exemplo de som primal gravado numa época pouco usual, é até hoje amplamente considerado um dos melhores discos ao vivo de rock. Mas o que fazer com o Live at Roadburn, desses tão amáveis sem terra californianos? Como você processa esse som, ainda mais analisa? O que de crítica você pode fazer? Vai muito além de qualquer limite de extremo, volta, te chuta na testa e te faz esquecer tanto existencialismo. O porquê de tudo não consegue fazer sombra pro MEU DEUS QUE PORRA É ESSA QUE ESSE CARA TÁ FAZENDO COM A GUITARRA? Extremo na música é o mais inapelável que o subjetivismo aguenta. Há um desespero consolador em saber que você nunca fará algo tão bem quanto o Isaiah Mitchell toca guitarra. Dois rabos de cavalo do Steven Seagal firmemente em riste!

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