Imagine por um segundo um mundo melhor. Onde eu não tenho confrontos eternos com problemas de peso. Onde eu não perco o sono num susto só pra me pegar acordar tremendo. Onde não existem blogs de moda, puta merda, onde moda não existe. Onde os dias não simplesmente passam, eles ficam. Não existiria ausência de inspiração e minhas palavras fluiriam como rios seguindo estalos de dedos em qualquer ritmo demente imaginável. As horas mais longas sempre parecem curtas demais, mas os momentos, porra, os momentos são infindáveis com seus corações acelerados, pulsando inutilmente, deixando cicatrizes sem dor. Deus abençoe o mundo das propagandas de banco, três tapas na cabeça pelo dia mais longo da vida e a conta pelo amor de Jesus Cristo, nosso salvador.
Eu demorei mais do que o necessário pra ouvir The Knife. Era uma daquelas bandas que sempre parecia boa, mas não boa o suficiente que eu perderia uma noite de sofrível cover de Strokes. E o Knife é uma banda noturna, como uma coruja ou os filmes de putaria softcore do Telecine Action. Depois de um primeiro disco razoável veio um segundo espetacular, uma arte perdida realmente. Teatral passando por cima do fato do teatro ser geralmente uma abominação. Animado, mas não realmente animador. Esquisito, mas não Mônica Mattos dando pra um anão. É também a coisa mais próxima que teremos de ópera nos nossos dias, troço assim raro. Além do mais, qualquer disco que tenha a letra “I raise my hands to heaven out of curiosity, I don’t know what to ask for, what has it got for me?” merece ser ouvido diariamente. De longe um dos melhores discos do século.

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