Quando eu tinha uns 12 anos comprei dois discos no mesmo dia: International Super Hits, do Green Day, e There Is Nothing Left to Lose, do Foo Fighters. O primeiro disco virou audição obrigatória naqueles dias selvagens de picardias juvenis onde eu escrevi a letra de Basket Case em torno da sauna do meu prédio. Meus dias eram divididos entre jogar Mario, ouvir esse disco e conversar merda com o guardião da piscina do Queen Anne. Sim, os sofrimentos do artista enquanto jovem são menos sensuais do que o esperado, eu não discutia Bukowski de paletó num bar. Ainda bem por isso, há lições que somente um encanador gordinho com pinta de Ron Jeremy pode te ensinar. O disco do Foo Fighters, no entanto, não me prendia. Gostava de 2 músicas, o resto parecia versões pioradas dessas 2 se misturando em uma grande massa calórica de guitarras e vocais faux garage rock. Porra, Green Day era menos genérico do que isso, quão absurdo nós conseguimos ser ocasionalmente? Depois, comprei meu ao vivo duplo do Iron Maiden e não mais perdi tempo com essas frivolidades.
Onde estava The Men nesses dias? O seu som irresistível e adolescentesco teria feito maravilhas comigo naqueles dias. Talvez eu os associasse a Mario 64 ao invés de Beck. Talvez os botassem pra tocar em meu mini system fazendo air guitar ao invés de Guns and Roses. Talvez eu não tivesse gastado 30 reais na porra do disco do Foo Fighters, valor que com a inflação hoje em dia claramente seria 1 (HUM, de acordo com o corretor do Word) milhão em barras de ouro que valem mais do que dinheiro. Punk rock seco misturado com absurdos e dementes momentos de country fazem do Open Your Heart o melhor álbum do ano até agora. Os dois primeiros trabalhos da banda já foram excelentes, só que se perdiam um pouco na testosterona excessiva da coisa. Esse novo se controla perfeitamente, é um disco que paira no ar, segurando o saco e te dando dedo do meio, mas faz isso com um élan digno de nota. Tremendo trabalho, carry on my wayward sons.

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