Shadow of the Colossus é o jogo mais poético já feito. O seu personagem chega a um templo com sua amada morta em braços, joga-a sob um altar e começa a conversar com Deus. Sua tarefa é matar os 16 Colossus que vivem nessa terra, assim Ele reviveria sua amada. Premissa extremamente japonesa, mas se torna verdadeiramente universal com o desenrolar do jogo. Os monstros não querem te atacar, eles não te fazem mal e matá-los é um ato até certo ponto cruel. Eles estão lá na sua natureza, você é o elemento estranho. Em muitos modos, você é o vilão. A pele de seu personagem fica cada vez mais pálida, o propósito fica cada vez mais esquecido à medida que você mata mais e mais desses monstros nessa terra inabitada. Não há outras batalhas além dessas 16, não há interação com nada, o mundo é enorme e vazio. Desolador. A chegada ao último Colossi é dramática e triste e após derrotar esse último “inimigo” vem o ato final do jogo, uma das coisas mais bonitas e melancólicas já realizadas. O jogo te consome, eu ficava cansado após cada batalha. Saiu em HD agora no Playstation 3 e eu daria qualquer dedo do pé pra poder jogar assim, é uma experiência que não deveria ser perdida por ninguém. Ficar no ombro de um desses gigantes algumas muitas vezes maior do que você é o tipo da coisa que não pode ser definida de outra forma além de “Caralho!”.
Algumas obras só podem ser definidas assim, sua admiração chega num ponto em que racionalizar seria um erro. Mais de 20 anos de carreira e os suecos do Meshuggah ainda extrapolam com força essa barreira. As músicas no Koloss são pesadas, carregadas, cobertas de ódio ignorante e melhor executadas do que 98% das outras bandas consegue sequer imaginar. Não é o melhor álbum da banda e nem precisa ser. Ao longo da duração do álbum você entra naquele mundo e esquece completamente de como é o seu. É a alienação glorificada, é um tratado de amor ao homem das cavernas. Se certas coisas são elefantes na sala, o Koloss é um mamute no seu cu. Talvez essa não seja a figura de linguagem que eu queria. Assim como o SOTC te captura com sua poesia e beleza, o Koloss te prende justamente no oposto disso. Caralho!

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