Somos todos apegados a símbolos, é o que mantém as igrejas vivas até hoje. Eu tinha medo do Chico Cheese no Rio de Janeiro, entraria em pavor extremo na Disney com o Mickey. Sou assim, algo sobre adultos em fantasias de rato me causa um tremor inteiro gigantesco. Meio como Fanta Laranja Light, você só sabe se tomar, porra! Metaforicamente, no entanto, parece uma forma apropriada de enxergar o mundo: uma série infinda de fantasias de rato, não é o que somos? Não é o que é uma mulher dançando de biquíni na TV? Não é a mera existência do Rodrigo Faro? Ana Maria Braga? Deus, debates políticos, quem assiste debates políticos? Somos grandes demais pra isso tudo, nossa resposta é alienação absoluta no seu estágio mais extremo. Passamos nosso dia aprendendo quem corneou quem nos programas vespertinos e a noite algum idiota ainda vêm na internet gritar o quanto somos alienados. É a nova religião, os novos caminhos inescapáveis que levam ao inferno.
O que sobra, como dizia um amigo meu que fez faculdade de direito e estudou anos pra chegar nessa conclusão, é o resto. É a máscara de coelho do produtor dinamarquês responsável pelo Sleep Party People. “It’s not your fault, it’s my own fault, I’m not human at all, I’ve got no heart”, ele apela e todos nós perdemos. Se o Chico Cheese falasse isso pra mim talvez eu correlacionasse ao invés de só temer pela minha virgindade anal. No final do dia, que espaço existe pro símbolo que somos? Até onde alguém precisa ser alguém e não sua máscara? Até onde a música está ligada num culto à personalidade enfadonho? Por que ainda existem cantores de jaqueta de couro gritando decadência e rebeldia no rock and roll uns 40 anos depois disso ter perdido qualquer relevância? Estou velho. Caminhamos pelo vale da autoparódia diariamente, por que ir sem a companhia de um isolamento instantâneo? De agora em diante, meu nome artístico é Great Gonzales, quero ser interpretado pelo Steven Seagal trajando fantasia de Zorro.

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