quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Top 10 - Discos Assustadores




O único defeito dessa obra é ser conceitualmente assustadora, é estruturado demais em sua ausência de estrutura. A ideia do disco, uma representação de cirurgia sem anestesia, lembra deveras aquele filme com o magrão que fez Star Wars, que ele tá descendo a jijoca na Jessica Alba. Coros de igreja, muitos barulhos de dentista, guitarras pesadonas, e 500 mil minutos no final do doce som de agulha batendo no final do vinil. O disco, por alguma sinestesia bizarra, passa bastante bem a sensação de estar em algum hospital nojento.





Versão Black Metal de música ambiente, isso aqui é bem perturbador. O som abafado dá a impressão de um ritual rolando logo ali, atrás da porta, dentro do banheiro, só esperando você entrar pra garrar na sua macaxeira com toda força e largar não bem grande. Hipnotizante, a possibilidade de dormir ao som disso causa miríades de pesadelos acordado. A melhor comparação pra essa obra deve ser o filme Begotten, só que as mulheres (sim, esse disco foi causado por duas mulheres) não conseguiram exatamente capturar a sensação de desconforto provocada pela película. De qualquer forma, rola bastante desconforto!





Graças ao lugar insano que é a internet, esse disco começou a ganhar um pouco de atenção. O equivalente musical do X no 4chan, isso aqui perturba justamente pela familiaridade. São medos conhecidos, uma mistura de temer demência com ver seu avô morto no espelho enquanto você apara os pentelhos. A carreira do James Kirby como The Caretaker é construída em torno da doença de Alzheimer, é uma exploração muitas vezes da suposta sensação. Há pouquíssimas coisas mais aterradoras do que a ideia de sentar encarando uma janela sem saber como você chegou lá ou como vai sair, e o Kirby acerta com total precisão aqui.





A estranheza do Jandek é bem documentada. Há pouca informação disponível sobre ele, suas capas geralmente são fotos distorcidas dele mesmo, e, apesar de ser um dos pioneiros do lo-fi, sua música é difícil de entender, muito mais ainda pra categorizar. Aqui em Ready for the House, ele maltrata o violão cantando sobre ficar pelado de tarde. O foda é que é mais doente pelo je ne sais quoi da coisa, há algo de desalentador na distância entre o normal e o que é encontrado aqui.





O nome é proveniente de uma tortura chinesa, aonde cortavam pedaços do corpo de algum meliante cheio de ópio, sendo que a droga era só pro cara não poder desmaiar mesmo. As imagens são graficamente chocantes, e os caras recebiam milhares de cortes. Além de servir de inspiração conceitual pro rock catarinense, é retratado aqui pelo John Zorn. Os berros desesperados do Yamatsuka Eye fazem a diferença aqui, mas o som é pesado e arrastadão, e surpreendentemente fiel à ideia inicial. Beira a sacanagem quando o saxofone do Zorn entra.





Antes de fazer trilha sonora pra alguns muitos filmes de porradaria delícia, Graeme Revell fundou o SPK numa instituição psiquiátrica em Sydney, com um dos seus pacientes. Simplesmente faz sentido demais. O som é aquele troço industrial que era famosinho nos anos 80, só que levado ao extremo. Samples fazem os vocais, a bateria é sempre tribal, cada segundo dessa porra é dissonante, barulhos de coisas quebrando e batendo saem do nada só pra te manter honesto. Isso é o som de suicídio, não só do ato, mas de tudo que leva a ele. Todas as coisas que nós abandonamos estão nos esperando nas sombras, isso aqui só não as ignora.





Não faço a menor ideia do que exatamente aqui que me perturba tão mal, mas só perturba. O disco é um texto narrado pelo Lucier, meramente explicando o que ele está fazendo, no caso gravar a própria voz num quarto fechado, tocar e gravar essa gravação, depois repetir o processo até que o eco domine tudo e suas palavras fiquem indiscerníveis. Eventualmente, o que se ouve é o quarto falando, e isso sempre me assustou. Não há muito o que possa ser falado sobre esse disco





Scott Walker fazia pop “barroco” daqueles bem típicos do final dos anos 60, de onde o viadinho do Alex Turner praticamente roubou o som do Last Shadow Puppets. Scott então sumiu completamente da cena, e voltou em 1995 com o insano Tilt. Tilt era barulhento, opressivo, triste, estranho e extremamente delícia. Sumiu de novo, em 2006 voltou com The Drift, aí ele foi além. Há pouquíssimas coisas mais perturbadoras do que a noção de um desenho se comportando diferente do que devia, sempre foi meu tipo de Creepy Pasta favorito. “The Escape” tem uma surpresa linda pra quem pensa dessa maneira, merece ser ouvido de noite com fone de ouvido com alguma atenção. Deus te abençoe, Scott.


 

O nome da primeira música é “I Cannot Feel You as the Dogs Are Laughing and I Am Blind”, e o som é exatamente isso, de alguma forma. Pra quem já viu a foto do cachorro sorrindo, não há mais nada que precisa ser dito.





O que resta quando não há mais ninguém? Isso é uma única faixa longa, um poema bastante sombrio narrado pelo David Tibet, e entre as estrofes há uma espécie de voz distorcida, como se murmurando palavras incompreensíveis, torturado. A música vai ficando cada vez mais estranha, e perto do final tudo para um pouco de fazer sentido, mas chegando lá você já está absorvido demais no terror pra sequer notar. Aqui a porra ficou séria. Os últimos minutos são o som da cabeça parando de fazer sentido, e não há nada mais assustador que isso.

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