Quando nasceu a atual adoração com vinil? Aparentemente, você ter um vinil do Bob Dylan te faz uma pessoa maravilhosa, mas por que? Não é nem pela raridade - ao contrário do que os fãs atuais possam achar, Bob Dylan fez sucesso pra caralho, você não foi escolhido por Deus pra conhecer tão obscura e secular obra. A volta do vinil indica que, sim, precisamos nos preocupar com a possibilidade da volta do piercing no umbigo. De acordo com o Mestre, um dia as feministas vão se juntar com os homossexuais, e aí será o fim do homem comum. Então por que se preocupar? Você não tem visões ao ouvir o estalo do vinil, você está ouvindo estalos só. Ninguém sente falta das TVs vagabundas que precisavam levar tapa pra funcionar? Ouvi especialistas dizendo que o som delas era melhor também, corram pros brechós porra!
Swinging Mademoiselle é um lançamento em dois volumes, sobre o qual não pesquisei muito. Prefiro o mistério no caso, ajuda bastante. São 32 músicas com exclusivamente mulheres sussurrando em francês, os arranjos são histriônicos como devem ser, tudo soa meio desafinado, a produção não é muito melhor do que gravado num banheiro de rodoviária propriamente temperado. Saca aquela série Nuggets de psicodelia, com ARTEFATOS dos anos 60? Isso aqui é a mesma porra, só que dançante, em francês, e rola um lance meio Wando Calcinha na sedução. Ou seja, muito melhor. A gravação é tão merda quanto, mas pelo menos não tem cara cantando letras idiotescas fora do tom. A benção de não falar francês é não entender que porra essas gurias estão cantando - vou supor que é tudo sobre homem malhando e não lavando o saco. Tem barulhinho de estalo em vinil porque, ao que parece, essa delícia não foi lançada em CD. Brilhante! Se não és viado, tens que ouvir várias vezes todos os dias.


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