quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Taraf De Haïdouks - 2001 - Band of Gypsies




Marcos senta-se em sua mesa, rezando por um peido. Seu corpo estremece, o barulho de buzina de navio toca infinitamente em seus ouvidos, delicadamente, quase não estando lá. A respiração pesa, todas as preocupações sociais apertam um pouco, como um céu estrelando insistindo em sair numa noite nublada. Marcos corre até o banheiro, liga a torneira, bota água, que escorre por sua barba mal feita. As paredes fecham, o teto colapsa, os sonhos de ontem vieram mais cedo hoje. Sua cabeça está em camas de hospital, com helicópteros explodindo a cidade inteira. “O Cooperativismo, como doutrina econômica, coloca os interesses das pessoas acima do lucro pelo lucro”, seus sentidos falham, seu cérebro nega todas as sinapses. Bloqueio criativo, e se o roteiro não ficar bom? Parecia impossível errar em cima de um enredo envolvendo um surfista que desenvolve desejos desvantajosos por cavalos, mas hoje isso está mais questionável. E se não ficar bom? Do alto do espelho, um gnomo aparece. Seu rosto redondo acompanha sua doce voz, dizendo o que precisa ser dito: “Baixe música folk romena”.

O lado positivo da infinita ignorância humana é poder ouvir Taraf De Haïdouks e associar com O Clone. Deus abençoe se a Romênia não tem porra nenhuma a ver com a Índia, que por sua vez tem menos ainda a ver com o Marrocos. Band of Gypsies, compilação de 3 apresentações ao vivo da banda, é música cigana, ou música pra dançar o ventre, andar de camelo, explodir prédios. Eu devia ter um show de stand-up comedy hein rapazeada, nem que seja só pra mijar no copo de água do Rafinha Bastos. Mas falando sério, o disco é mais delicioso que algo muito delicioso, pense num Beirut extremo e a ideia é essa mesmo. Pra dançar ensandecido, ou admirar calmamente. A beleza da música é que ela não conhece limites em ignorância; sendo cigano ou árabe, isso aqui é simplesmente bom pra caralho.

Nenhum comentário:

Postar um comentário