Eu sempre quis um roupão, finalmente ganhei um azul de veludo. Roupão é uma vestimenta que passa exclusivamente duas imagens: cafetão ou maconheiro. E, como todo bom fã de blaxploitation sabe, você não pode ser o primeiro sem ser o segundo. Infelizmente, como todo bom fã branco de blaxploitation sabe, você nunca vai ser tão badass quanto nos filmes. Quando uso essa tão desejada peça após o banho, pareço uma morsa de roupão azul de veludo. Acho pouco vantajoso. Depois percebi que só seria coisa de maconheiro se fosse de seda, embora o trocadilho aí seja totalmente incidental, e não material de stand-up comedy brasileiro. Maconheiro tem algo com ganesha, seda, estampa oriental, ocupação de qualquer lugar, revolta estudantil e rock progressivo. Como nem todo bom fã de blaxploitation sabe, somente o último se salva.
Roine Stolt nasceu em 1956, pela sua trajetória dava pra dizer que nasceu em 1856. Tocou em trocentas bandas, lançou caralhões de álbuns duplos, fez participações especiais em outras tantas obras. Partilha com o Jon Anderson da visão de um mundo positivo onde apenas a beleza reina, o que eu acho fenomenal, embora não compactue porque o Luiz Carlos Prates não iria gostar. Flower Kings, seu projeto mais famoso, é uma mistura deliciosa de rock progressivo com farofa. Não, infelizmente, bem glam metal, sem megahair, amplificador Marshall no talo, purpurina voando das caixa, sovaco lavado, tudo groupie, nada disso. Mas a maravilha expansiva e inevitavelmente cafona é presente, o que só pode resultar em saborosos momentos. No disco em tela (ainda que tenha o nome da banda, é um disco solo, nunca entendi também), Stolt se desdobra passeando pelos limites do que pode e não deve ser feito. É assim que se faz, é assim que se ama rapazeada.

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